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De: "silvioaudio" <silvioaudio§yahoo.com.br>
19/03/2002 ter 21:17
Assunto: [Audio List] Uma questão de referência !
Caros amigos da lista, acompanhem meu raciocinio:
Quando executamos uma medida, independente da natureza que ela seja, a medida
é relativa a alguma grandeza, por exemplo: se eu medir o comprimento de uma
mesa, eu direi que mesa mede X metros de comprimento, neste caso eu sei que o
se comprimento equivale a X, porque lá na França em um museu (que agora não
me lembro o nome) tem um barra feita de uma determinador metal, que possui um
comprimento e que algum dia alguem definiu que o comprimento dequela barra era
equivalente à um metro, ai em relação aquela barra eu posso afirmar que a
mesa tem X metros !
Bom vamos agora para o mundo do áudio ! Se por exemplo, desejamos medir a
responta de frequencia de uma caixa acustica, a grosso modo nos precisamos de
uma sala não que altere a resposta de frequencia dos som emitidos, um
microfone e demais equipamentos com uma resposta de frequência plana. Bom
para saber se a resposta da sala, do microfone e equipamentos é plana também
alguem mediu e para calibra-los também usou-se alguma referência.
Em resumo, a minha pergunta é simples : Se eu medir a resposta de frequência
de uma caixa acustica em uma sala qualquer, com um microfone que não tem
necessariamente uma resposta plana , eu não posso agfirmar que a resposta que
eu medi esta correta. E se medir uma outra caixa, na mesma sala , com o mesmo
microfone.... Eu posso afirmar que em relação a primeira caixa esta tem uma
melhor ou pior resposta de frequência ?
Silvio Mota
Metropolis Audio System
São José dos Campos-SP
De: "Daniel Augusto" <danielaugusthus§bol.com.br>
20/03/2002 qua 05:47
Silvio, Segundo o que já aprendi aqui na lista mesmo, é
exatamente isso que acontece.
A discussão na época era sobre monitores... mesmo que seu monitor seja ruim,
se você tem um CD que sabe que toca bem em qualquer lugar... nas suas
gravações faça com que nos seus monitores ruins ela se pareça com o CD.
Mesmo que esteja parecendo horrivel, não tente embelezar o que está ouvindo
em seus monitores...
. Daniel Augusto da Silva
: Portal Ministério de Louvor
: http://www.ministeriodelouvor.org
De: "luifocy2002" <luifocy2002§yahoo.com.br>
20/03/2002 qua 00:33
Saudações Silvio.
Seu raciocínio está rigorosamente correto. Não creio que alguém defenda a
tese de que a resposta de uma sala seja plana. Mesmo depois de um criterioso
tratamento acústico. Então, quem mede uma caixa acústica numa sala típica
chega a um resultado que é parte caixa, parte sala. Mude a sala que o
resultado, embora ainda parte caixa, parte sala, será diferente do primeiro.
Se forem usadas 1000 salas haverão 1000 resultados diferentes. Porque numa
sala fechada o microfone de teste amostra necessariamente sinais diretos,
reflexões primárias e campo reverberante.
Esses dois últimos componentes incluem todo o caráter acústico de cada
sala, com suas estacionárias, efeitos de nós e de ventres, irregularidades
de caimento e de retomada, falsos ataques, inflexões acústicas,
inadequações múltiplas determinadas por tempos de reverberação que se
afastam do ideal ao longo de todo o espectro de interesse, etc., etc. e mais
etc. Bem, convenhamos que nada disso tem a ver com a caixa que queremos medir.
Ora, uma das soluções para esse problema é medir apenas e tão somente o
campo direto. O que nos obriga a eliminar reflexões primárias e campo
reverberante. Podemos fazer isso?
Podemos. Numa câmara anecóica. Uma autêntica referência para medições de
caixas acústicas. Os próprios microfones de teste podem ser
"aferidos" nas câmaras anecóicas. Ocorre que essas câmaras são
caras. Muito caras mesmo. E... obsoletas. Sim, porque há muito que já
podemos fazer medições anecóicas em salas extraordinariamente
reverberantes. Por exemplo, com 5 segundos. Ou 10 segundos, se preferir. Tudo
começou com a EAT - a Espectrometria por Atraso de Tempo, poderosa técnica
inicialmente vislumbrada pelo meu querido e saudoso mestre Dick Heiser - QUE
SAUDADE!!!! Deve ficar claro que (ainda) não podemos atrasar o tempo, mas só
os sinais. Softwares como o LAUD da AudioSuite, e outros, nos permitem fazer
tais medições com investimento de uma fração insignificante do que seria
investir numa câmara anecóica.
Em tese também "não podemos" comparar duas caixas acústicas
diferentes numa mesma sala porque nos dois casos os campos diretos ficam
mascarados pelas reflexões primárias e pelos campos reverberantes. E é
falso supor que os mascaramentos são semelhantes nos dois casos. Além disso,
o resultado de baixas freqüências de uma caixa, altamente dependente de sua
posição física no espaço, também tende a ser diferente do de outra caixa
no mesmo espaço. Então, fazemos as medições anecóicas, ou consultamos os
dados do fabricante, também levantados assim, e temos lindas respostas de
freqüência. Que nos são um tanto ou quanto inúteis já que, em sã
consciência, ninguém vai curtir seu som numa câmara anecóica. Nada mais
insuportável do que isso.
Logo, o que você sugere, isto é, comparar as caixas na sala, é o melhor a
fazer. Assim é o teste A-B, onde os diferentes pares de caixas estão numa
mesma sala. E você ouve ora um, ora outro par. Fazer um teste A-B num show
room ou numa sala diferente da nossa e esperar que o resultado se repita em
nossas casas é esperar por milagre. Eis porque os show rooms não servem com
medida de comparação. Mas se fizermos o teste A-B em nossas casas ou
estúdios, com muito cuidado, calma e paciência para experimentar as melhores
posições de cada par, teremos resultados práticos muito eficazes, que
complementam as mediçõs teóricas. Sequer precisamos de instrumentos para
julgar e dizer o que é melhor e o que é pior. Muitos seguem o caminho de
preselecionar as caixas por suas medições anecóicas para então efetuar os
testes práticos. Você sabe que a prova do pudim é na boca. E que a da caixa
no ouvido e no lugar onde ela vai morar.
Luiz Fernando Cysne.
De: Márcio Melo <melo§audium.com.br>
20/03/2002 qua 18:14
"silvioaudio" <silvioaudio§yahoo.com.br> escreveu:
>
> Caros amigos da lista, acompanhem meu raciocinio:
>
> Quando executamos uma medida, independente da natureza que ela seja, a
medida é relativa a alguma grandeza...
Acho que isto é um pouco óbvio. Pouquíssimas grandezas,(temperatura,
pressão solar, etc.) têm, além de suas medidas relativas, suas escalas
absolutas (escala Kelvin, por exemplo).
Isso torna quase todas as outras admissíveis ou não admissíveis, em
função de alguma medida pré-estabelecida. No seu exemplo, não se pode
tirar conclusão alguma, pois os fatores externos infuenciam nas medidas, e
portanto não se sabe até aonde este ruído afeta sua medição.
Márcio Melo.
De: "silvioaudio" <silvioaudio§yahoo.com.br>
21/03/2002 qui 21:09
Bom as coisa nem sempre são como parece, por isso não custa nada discutir o
assunto !
> No seu exemplo, não se pode tirar conclusão
alguma, pois os fatores externos
> infuenciam nas medidas, e portanto não se sabe até aonde este ruído
afeta sua medição.
É, mas afeta tanto a medição da primeira caixa quando ao da segundo e na
mesma intensidade ! Pelo menos é a tese que sempre defendi e o Luiz Fernando
Cysne confirmou !
Silvio Mota
Metropolis Audio System
São José dos Campos-SP
De: DGC Audio <dgc§dgcaudio.com.br>
20/03/2002 qua 20:28
O Gustavo Paulinelli da UFMG, fez um trabalho de analise de salas onde foi
feita a medicao e analise de uma caixa acustica ao ar livre, a noite, em local
ermo. Depois esta caixa foi analisada em uma sala e as curvas subtraidas.
Assim teve-se o resultado da interferencia da sala ou seja, sua resposta.
Denio Costa
De: "luifocy2002" <luifocy2002§yahoo.com.br>
22/03/2002 05:47
Meu querido parceiro de palestras Denio e amigos. A experiência reportada é
interessante e válida. Entretanto, não podemos esquecer que ao subtrair a
medição ao ar livre (simulação da condição anecóica) da medição da
sala, teremos resultados diferentes para diferentes posições do microfone de
teste. Assim, não creio que possamos dizer que há uma resposta da sala. Ou
que a interferência siga um padrão.
Ao contrário de macacos médios como você, e de macacos velhos como eu, os
noviciados tendem a ter mais dificuldade em "enxergar" isso.
É por isso que no meu curso de áudio faço uma experiência tiro e queda
para quem quer "ver" e "ouvir" as ondas estacionárias.
Vou recomendá-la a todos os nossos caros neófitos.
Liguem um gerador de áudio (pode ser o do Spectralab, o do SoundForge, etc.)
num amplificador e este numa caixa parruda. Ajustem a freqüência para 120 Hz
e o nível para 100 dB SPL. Estes valores não são críticos nem interferem
com a experiência. Se sentir que os falantes estão distorcendo nas baixas
diminua imediatamente o nível.
Tudo ajustado, comece a passear pela sala, prestando atenção só ao SPL.
Bastará 1/2 ou só 1 minuto para que você entenda definitivamente porque uma
sala tem infinitas respostas.
Esse mesmo fenômeno ocorre com quaisquer salas com superfícies paralelas,
independentemente das dimensões terem sido escolhidas com critérios
técnicos (BBN, Sepmeyer, Louden, Volkmann, Boner e outros). O que esses
especialistas sugerem, cada um a seu modo, são dimensões para as quais o
problema não é tão grave. Muito, muito, muito, muito melhor, é não
permitir o paralelismo.
Luiz Fernando Cysne.
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