Audio List / FAQ / Teoria
AmplificadoresTipos e diferenças entre amplificadores
Classes de amplificadores e etapas de saída
Impedância em amplificadores e alto-falantes
Relação de potência entre amplificador e caixas
Fator de amortecimento
Sensibilidade
Amplificadores em ponte (bridge)
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De: grocha§sesirs.org.br
12/01/03 seg 17:08
Assunto: [Audio List] ???Corrente de repouso
Gostaria de saber mais sobre corrente de repouso e se a regulagem da mesma
auxilia no rendimento final de qualquer amplificador...
De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
ter 16:56
Estagios de saida trabalhando em push-pull apresentam descontinuidades no
funcionamento, pois os transistores não comutam a exatamente 0V. Isso leva ao
que se chama "distorção de crossover", presente em amplificadores
com estágio de saida em classe B.
Para evitar isso, aplicamos uma pequena tensão continua de polarização à
base dos transistores de saida (cerca de 0,65V), de forma que eles fiquem no
limiar da condução, quando em repouso. Assim, a transição de um transistor
para o outro (no par de saida) é continua, sem "quebras". E´a classe
AB.
Caso semelhante ocorre em aparelhos valvulares. Temos algo sobre o ajuste na
FAQ, "Service", verifique.
http://audiolist.cjb.net/faq.htm#service
Mas o ajuste dessa corrente (bias) deve ser feito apenas ao se efetuar um
conserto na etapa de saída do amplificadores, ou a substituição das valvulas,
em se tratando de equipamento valvular.
O valor correto costuma ser especificado pelo fabricante em seus manuais de
serviço, e já vem ajustado de fábrica, não sendo necessario alterar.
Edu Silva
ES2 Audio
De: "Marcelo Rodrigues" <rev.m.rodrigues§uol.com.br>
01/03/03 11:37
Assunto: [Audio List] Saída Complementar e quase complementar
Olá amigos,
Bem, gostaria de aprender um pouco de teoria de amplificadores.
Por isso uma pergunta, qual é a diferença entre a configuraçào de saída
complementar e quase complementar? Qual é a melhor, ou mais recomendável? Tipo
para HI-FI, instrumentos musicais, PA, etc?
Em minhas pesquisas cheguei à conclusão que a diferença estar no par de
transistores de saída. Na complementar ambos são ou NPN ou PNP. E na quase
complementar são um para casado um NPN outro PNP, é isso somente a diferença?
Abraços e Paz
De: Marcelo Yared <marcelo.yared§persocom.com.br>
01/03/03 17:28
No estágio de saída em simetria complementar os transistores são NPN/PNP, e
esta arquitetura é a mais usada hoje em dia.
Na simetria quase complementar você utiliza dois transistores idênticos. Ela
era mais comum nas décadas de sessenta e setenta do século passado, quando
não havia, ou havia poucos, verdadeiros pares complementares disponíveis no
mercado.
De uma forma geral, não há porque dizer que uma arquitetura seria melhor do
que a outra, significativamente, a menos dos aspectos econômicos envolvidos,
onde a simetria quase complementar leva alguma vantagem.
Saudações
De: Fabrício Santos <fabriciociniciato§yahoo.com.br>
04/03/03 19:24
Assunto: [Audio List] Transistor - saída emissor comum
Olá pessoal,
Tenho verificado alguns circuitos de amplificadores, principalmente os nacionais
e boa parte dos estrangeiros, utilizam-se de transistores de saída na
configuração coletor comum. Com exceção de algumas marcas (de meu
conhecimento), entre elas QSC, Ram Audio, Crate, as quais possuem alguns modelos
de amplificadores com transistores de saída na configuração emissor comum
e, me parece que a Machine Audimax lançou um modelo de amplificador nesta
configuração também.
Um pouco de leitura a respeito, sabe-se que o transistor coletor comum possui
ganho de corrente e o transistor emissor comum possui ganho de tensão.
Minha pergunta: agora, os transistores sendo utilizados na saída de um
amplificador de potência, emissor comum, quais seriam os prós e contras dessa
configuração, já que possuem um funcionamento adequado à tal equipamento e
é pouco usual??
Fabrício Ciniciato
Bauru - SP
De: "Solon do Valle" <solon§musitec.com.br>
05/03/03 01:54
Fabrício:
Se você observar bem, embora a saída final destes amplificadores seja pelo
coletor dos transistores de potência, estes na realidade fazem parte de uma
associação com os drivers (os penúltimos) onde estes estão conectados
em coletor comum. Esta associação se comporta como um transistor de alto
ganho, com a polaridade do driver. Este circuito é uma alternativa para o Darlington.
Nos amplificadores com saída quase complementar, o lado positivo tem um par
Darlington com dois NPN (o driver e o de saída); o lado negativo tem um driver
PNP e um transistor de saída NPN, e esta dupla se comporta como um PNP de
potência.
Portanto, a saída composta é mesmo em coletor comum.
Sólon
De: Marcelo Yared <marcelo.yared§persocom.com.br>
04/03/03 21:32
Prezado Fabrício,
Esta configuração a que você se refere é usualmente conhecida como CFP
(complementary-feedback pair, ou, Sziklai pair) e tem como vantagens
teóricas, basicamente, uma melhor estabilidade da polarização do estágio de
saída e uma maior eficiência quando em repouso.
Adicionalmente, Douglas Self verificou menor distorção em altos níveis de
sinal para esta configuração em suas simulações.
Normalmente estágios configurados desta forma são totalmente realimentados
localmente, de forma que o ganho de tensão teórico no estágio seja unitário
(na verdade, um pouco abaixo da unidade nas configurações mais conhecidas),
pois não é muito usual trabalhar-se com ganho de tensão no estágio de
saída.
Em relação às desvantagens, podemos citar a dificuldade em se tratar a
distorção devida ao corte dos transistores de saída (switchoff distortion),
no caso de transistores bipolares, e instabilidade em freqüência.
Uma boa referência para você entender bem estas características está em
"High Power Amplifier Construction Manual", de G. Randy Slone - ISBN
0-07-134119-6 - páginas 169 a 172.
http://audiolist.cjb.net/eletronica.htm#livros
Saudações
De: Fabrício Santos <fabriciociniciato§yahoo.com.br>
05/03/03 01:46
Mesmo com os transistores atuais "ultrarápidos" na ordem dos 30MHz
essa "instabilidade em freqüência" não seria melhorada??
A corrente de polarização num estágio CFP é a "metade" da corrente
de um estágio EF, seria devido a isso a
"switchoff distortion"? Um estágio de entrada mais dedicado não
seria capaz de corrigir essa distorção utilizando a realimentação??
Um circuito CFP:
http://www.ee.und.ac.za/coursemain/DNE4EC1/notes/PwrAmpNotes.htm#_Toc1782508
De: Marcelo Yared <marcelo.yared§persocom.com.br>
05/03/03 09:42
Prezado Fabrício,
> Mesmo com os transistores atuais
"ultrarápidos" na
> ordem dos 30MHz essa "instabilidade em freqüência" não
> seria melhorada??
Não necessariamente. Na verdade, me referi a instabilidade de freqüência de
maneira bastante simplista. Ela é resultante da própria configuração, que
permite, dadas as capacitâncias internas dos transistores utilizados, seu ganho
de corrente e as tensões aplicadas, que o ganho do estágio varie e ocasione
oscilações parasitas. Slone, na referência que eu lhe passei, verificou, com
o par A1302/C3281, um pico no ganho em torno de 2MHz e com os MJ15003/15004 um
pico bem menor e em torno de 17MHz. Me parece ser, então, algo altamente
dependendente dos dispositivos utilizados.
> A corrente de polarização num estágio CFP é a
"metade"
> da corrente de um estágio EF, seria devido a isso a
> "switchoff distortion"? Um estágio de entrada mais
> dedicado não seria capaz de corrigir essa distorção
> utilizando a realimentação??
Não, ela é devida à dificuldade do transistor entrar em corte rapidamente em
altas freqüências. esta configuração não permite, de forma simples, uma
descarga adequada dos transistores, pronunciando o efeito. Neste caso, o uso de
transistores "ultra-rápidos", entendidos como de baixa capacitância,
poderá realmente melhorar o desempenho, bem como prover meios de
descarregá-los adequadamente também pode ser efetivo.
De: "Marcelo Rodrigues" <rev.marcelo§inbrasnet.com.br>
01/04/03 09:46
Assunto: [Audio List] Transistores rápidos
O amigo Elias disse:
> opa Marcelo ...blz ? porque voce não usa os
toshibas 2sa1943 e 2sc5200 ?
> ....são bem rapidos em resposta a transientes e voce pode aplicar tensões
> elevadas em sua alimentação..... a velocidade de comutação dos
transistores
> que voce pretende usar é muito baixa..... basicamente a maioria dos amps
> atuais usam estes transistores acima citados....sds
Queria aprender um pouco a respeito de velocidade de transistores neste aspecto
de resposta a transientes e de comutação.
Olhando as especificações dos meus MJE2955/3055 e dos 2SA1943/5200, percebi
que além das diferenças de tensão Vceo e Corrente do coletor, eles tem uma
siginificativa diferença na Ft, os 2955... com 2 Mhz e os 1943/5200 com 30 MHz.
E aí que reside esta maior velocidade? Porque? Senão, em que especificação
técnica?
Caso positivo, o MJ15003/15004 são piores, neste quesito do que o 1943/5200,
pois tem Ft de 2 MHz também. Está certo este meu raciocínio?
De: "elias novaes" <audbass§ieg.com.br>
01/04/03 11:56
opa Marcelo
exatamente isto: trs. com baixo ft , só serve para baixa frequencia. se voce
quer um amp para trabalhar em full range, de preferencia aos toshiba A5200 e
C1943. Tambem prefira trs rapidos nos geradores de tensão e corrente tipo 2sa
1006 e 2sc 2336.
Cuidado com falsificações: trs originais são bem acabados sem rebarbas e heat
sink bem polidos, os falsos são bem grosseiros ha, as letras dos originais são
mais dificeis de enxergar
Elias Novaes
audbass§ieg.com.br
eliasnovaes§bol.com.br
www.risovox.com.br
De: "Marcelo Puhl" <mark§cpovo.net>
01/04/03 20:51
Qual a influência do ft no estágio de saída, coletor comum? Qual a relação
máxima frequência de trabalho x ft ?
De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
03/04/03 07:13
Marcelo Rodrigues escreveu:
>
> E aí que reside esta maior velocidade? Porque? Senão, em que
> especificação técnica?
A Ft é a frequencia de transição, ou seja, o ponto onde o ganho de
corrente do transistor é unitário (igual a 1).
A resposta em altas frequencias cai em altos ganhos, mas como os trans de
saida tabalham em ganho unitário de tensão, amplificando apenas corrente (em
tese), esse fator não é tão importante aqui como em outros pontos do
circuito.
Uma advertência quanto aos dispositivos de alta Ft: eles são mais propensos a
oscilação e interferência de RF. Precisam de maiores cuidados com o
projeto da placa, entre outras precauções.
Os tempos de comutação (Ton e Toff) tambem são importantes e
influem muito no "som" do transistor, mas nem sempre são indicados
pelo fabricantes. Quanto menores esses tempos, melhor. Para máximo desempenho,
os tempos devem ser iguais ou o mais proximos entre si que for possivel - esses
parâmetros tem influência na sonoridade dos amplificadores, e não só aqueles
com etapas de potência chaveada.
> Caso positivo, o MJ15003/15004 são piores, neste
quesito do que o
> 1943/5200, pois tem Ft de 2 MHz também. Está certo este meu
> raciocínio?
Cuidado. A Ft anunciada nas datasheets (nomimal) é verdadeira apenas sob pequenas
correntes.
Saiba que a medida em que a potencia dissipada aumenta (maior a corrente que
circula pelo componente), a Ft cai - mas em proporções diferentes para
cada modelo de transistor. Então, um componente que apresenta boa resposta sob
menores correntes, pode não ter bom desempenho em condições extremas, e
vice-versa.
Voce pode ver isso ao comparar alguns MJ contra outros 2S: enqanto os primeiros
apresentam menor Ft nominal (por exemplo, 4Mhz min. no MJ15022), ela cai menos
com o aumento da corrente de coletor que em outros transistores aparentemente
melhores (como os 3281, com Ft nominal de 30MHz). Em regime de trabalho
intenso, os MJ exibem uma Ft superior.
Mas lembre que nem só de saída vivem os amplificadores - os drivers tambem
precisam ser considerados, pois trabalham duro...
Edu Silva
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