Audio List / FAQ / Sonorização & PA
    Teoria e prática (3)

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    Mixando o PA



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    Mixando o PA


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    30/10/02 qua 12:10
    Assunto: [Audio List] Dúvidas de iniciante

    Oi Felipe e demais novatos na lista e no áudio:

    De: "Kasai" <kasai§ieg.com.br>
    >
    > A respeito de frequencias, ha muito tempo eu venho ouvindo que, em
    > alguns instrumentos se deve cortar algumas frequencias ou acentuar
    > outras, e eu não entendo nada hehehe

    É o que chamamos de "equalizar". No caso em questão, serve para destacar ou esconder certas qualidades de cada instrumento. Por exemplo, podemos tornar o som de uma guitarra mais áspero, uma caixa de bateria mais pesada, ou trazer a voz mais para frente, em relação aos outros instrumentos.

    Mas voce não precisa fazer isso sempre, obrigatoriamente. A equalização é um recurso que deve ser aplicado apenas se e quando necessario. Qualquer recurso, quando utlizado em excesso, tende mais a prejudicar que favorecer nosso trabalho.

    > 1. O que acentuar ou atenuar frequencias faz ?

    Voce pode descobrir com facilidade, apenas ouvindo o efeito que provoca um equalizador ou os controles de sua mesa: ponha um track com um instrumento para tocar e mexa em cada controle de tom. Observe o que
    acontece.

    > 2. Como eu descubro quais frequencias devo acentuar ou atenuar? seria
    > com um analisador de espectros? se sim, como eu vejo isso?

    O melhor instrumento para isso é um ouvido treinado. Conhecendo o som original do instrumento e sabendo onde quer chegar, basta conhecer o equipamento para saber como utiliza-lo em seu favor.

    Com o tempo voce saberá como trabalhar cada instrumento, mas enquanto isso, guie-se pelas dics da FAQ. Mas não leve tudo como obrigatório, e sim como pontos de partida.

    Procure a serie de mensagens "Que som é esse", onde discutimos algo relacionado. Tambem em nosso site, na seção "Barraco", existe a transcrição de um interessante debate (?) sobre educação auditiva que rolou aqui, há uns meses. Procure nos icones da home page.

    > 3. Tem como eu jogar um instrumento inteiro para uma frequencia só?

    Impossivel, pois seria um instrumento de uma nota só!!     Não faça isso, a música ficaria muito monótona assim...

    > (pois eu ouvi falar que os instrumentos devem estar em frequencias
    > diferentes para não embolarem)

    Sim - mas não confunda "frequencia" com "faixa de frequencia". E uma confusão comum.

    É um truque bem conhecido na área, chamado "equalização complementar". Por exemplo: se queremos "separar" duas guitarras que estão "brigando" pelo mesmo espaço na mixagem (tem som igual), podemos tornar uma mais "estridente" (ressaltando os medios-altos) e a outra mais "apagada" (atenuando a mesma faixa que reforçamos na outra).

    Distribuí-las pelo campo estéreo (jogando uma mais para a esquerda e a outra para a direita) tambem ajuda. Usar efeitos diferentes tambem (exemplo: um reverb leve e brilhante numa e reverb denso e apagado na
    outra - esta parecerá estar mais atrás, no fundo do palco).

    Sobre frequencias: pesquise sobre pricipio basicos do som, nos sites relacionados na pagina BIBLIOTECA seção "FAQ's, artigos, tutoriais, cursos e glossários". Existem varios sites em português, que tratam do tema de forma bem simples e acessivel.

    > muita vezes eu li que se eu atenuar a frequência "X" elimina alguns
    > ruidos das musicas ou se eu aumentar frequência "Y" fica bom para
    > estilo pop/rock, porem eu não li nenhuma vez o por quê disso, ou como
    > eu faço pra descobrir porque acontece isso...

    As coisas não são assim tão rigidas nem fáceis. Voce deve estar se referindo às dicas de equalização que estão na FAQ. São pontos de partida para trabalhar o som dos instrumentos, mas não entenda que voce DEVE fazer desta ou daquela forma, obrigatoriamente.

    Estube bem as tabelas e pratique. Não deixe para usar só na hora de um show. Treine bastante antes, e se sentirá mais experiente na hora H. Veja tambem os livros sugeridos nas páginas PA e BIBILIOTECA.

    Abraços,
    Edu Silva
    ES2 Audio



    De: Aquitê Moreno <aquitemoreno§terra.com.br>
    03/03/02 10:19
    Assunto: [Audio List] Dúvidas sobre Equalização e Mixagem

    Tenho visto uns técncicos pedirem para cortar em 1.5 K, 350 Hz... Como podemos treinar nossos ouvidos para perceber em que frequências precisam ser adicionados ou retirados alguns dB's?

    Aquitê Moreno
    aquitemoreno§terra.com.br


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    07/03/02 16:49

    Na maioria das vezes é um misto de experiência (aprendida no dia a dia) e um pouquinho de "chutologia". :-)

    Não é difícil reconhecer faixas de frequência: quando nos referimos a 500Hz, por exemplo, não estamos falando dessa frequência exata, mas da região entre 400 e 630 Hz, aproximadamente (observe o painel de um EQ de 1/3 8a).

    Para treinar seus ouvidos, pode ir começando em casa mesmo, da seguinte forma: ponha alguns CD's conhecidos para tocar e vá reforçando um a um (e voltando a zero, logo a seguir) cada potenciometro de um EQ. Tente associar cada banda (faixa) de frequencia ao que ouve. Preocupe-se com a região entre os 200 e 4kHz, a mais importante (tanto no treinamento quanto no dia-a-dia). Se tiver algumas trilhas com instrumentos separados, melhor.

    Para saber quantos dB's a mais ou a menos, é ainda + fácil: 3 ou 6dB são valores-padrão. Começe com estes, e normalmente não precisará alterar mais que 1dB para cima ou para baixo além disso. Valores maiores que 6db podem ser problemáticos: é preciso descobrir primeiro, porque se precisa de tanto reforço / atenuação (deficiência no instrumento ou captação, por exemplo).

    O paragrafo acima se refere aos ajustes na mesa. No EQ (para o alinhamento do PA), o procedimento é outro.

    Também é util para trabalho em estudio. Entretanto, como as condições aí costumam ser mais favoraveis, qualquer db a mais ou a menos é notado e os ajustes são mais críticos, ou até desnecessários. Mas vejam que estamos falando de mixagem, não de gravação! Pressupõe-se, então, que as trilhas jã estão gravadas, não sendo mais possível substituir microfones ou mudá-los de posição. Infelizmente, agora só nos resta o "fix in the mix...". :-)

    Edu Silva



    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    29/12/02 dom 09:55
    Assunto: Re: [Audio List] molho nos instrum.

    DE: sasouza§celpe.com.br
    >
    > gostaria de saber qual o melhor modo de usar o EQ. para da
    > um molho nos instrumentos de cada canal da mesa, se no INSERT
    > ou no AUX. {pra cada canal}


    Equalizador não é efeito, não devem ser ligados nem no insert do canal, nem muito menos no AUX. Nesses pontos devem ser ligados os processadores de efeitos (reverbs, etc).

    O equalizador vai na saida da mesa (equalização corretiva para as caixas) ou no MAIN INSERT (para dar um "shape" ou contorno no som). No caso de eq para o palco, use na(s) saida(s) MON, indo dai aos amps de
    palco. Veja na FAQ as dicas que temos sobre o uso de equalizadores.  Para trabalhar o som dos instumentos, voce deve usar apenas a equalização de cada canal da mesa. Leia a FAQ em "Microfonação e gravação" (todas as páginas).

    http://audiolist.cjb.net.faq.htm

    Edu Silva
    ES2 Audio


    De: "souza filho" <sasouza§celpe.com.br>
    17/01/03 22:53
    Assunto: [Audio List] MAIN INSERT

    Gostaria de saber como eu devo usar a saida master insert para dar um aperfeicoamento nos instrumentos.


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    20/01/03 09:55

    Souza,

    Não é para isso que usamos o equalizador no master insert da mesa. Esse ponto serve para se intercalar um processador qualquer (eq, limiter multibandas) nas saidas principais (L e R) de uma mesa. Esse sinal então será enviado ao PA.

    Para trabalhar o som de cada instrumento, voce deve usar a equalização individual de cada canal da mesa (grave, medio sweep ou parametrico e agudo), e talvez algum efeito ou compressor no insert do canal.

    Não há necessidade de equalizador insertado num canal da mesa, e se o instrumento ou mesa são assim tão ruins a ponto de voce precisar disso, dificilmente conseguirá um bom som no fim das contas, não importa quanta equalização voce use.

    Edu Silva
    ES2 Audio


    De: ORGANIZASOM - Rafael Maroni <organizasom§yahoo.com.br>
    30/01/03 qui 02:01

    Sobre esse médio que você falou, o sweep, nunca vi esse termo antes, o que ele faz ? sweep significa varredura ? Ou ele é como os demais -15dB ---- 0 ---- + 15dB

    Rafa


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    qui 10:47

    Olá, Rafa

    Esse sweep é do tipo que tem nessa Yamaha que voce usa.  O controle de médios nas mesas pode ser :

    - fixo (frequencia central fixa, só muda a reforço/atenuação (boost/cut);
    - parametrico verdadeiro (com tres knobs: frequencia, boost/cut e Q (largura de banda);
    - sweep (ou varredura), onde o controle de Q não existe (é fixo).

    Nesse último (mais frequente em mesas de medio/baixo custo), o Q geralmente apresenta um valor fixo, relativamente baixo. Na verdade, esse valor costuma variar, de acordo com a frequencia e atenuação/reforço (mais por deficiência do circuito que por decisão do projetista...).

    Na mesa Spirit que está aqui ao meu lado, o médio funciona assim - a faixa de ação vai de 250Hz (todo à esquerda) a 6kHz (todo à direita), com 1,1kHz na posição central:

              250
    ______    __  --->         ________  +15dB
          \  /  \  medio      /
           \/    \ sweep     /
    grave  /\     \         /  agudo
    
    
                  1100
    ______         __  --->   ________
          \       /  \       /
           \     /    \     /
            \   /      \   /
    
    
                      6000
    ______             __    ________
          \           /  \  /
           \         /    \/
            \       /     /\
      
    (controles na posição de maximo reforço)

    Não é o mesmo de um parametrico verdadeiro, mas é mais util que o baxandall comum (médio fixo). Só que alguns circuitos mais simples para esse função não soam muito bem. Não é o caso das Spirit, que tem um eq razoável, apesar do baixo custo.

    A taxa de reforço/atenuação é medida em dB, a frequencia em Hz. A largura de banda (ou faixa) pode ser em oitavas ou sem unidade (quando chamamos de Q).

    Q      Largura de banda
    -----------------------
    0.7    2 oitavas
    1.0    1 1/3 oitava
    1.4    1 oitava
    2.8    1/2 oitava

    As revistas AM&T e Backstage já publicaram varios artigos explicando melhor isso.

    Edu Silva
    ES2 Audio


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    01/03/02 11:32
    Assunto: Re: RES: [Audio List] Dúvidas sobre Mixagem

    larguesa escreveu:
    >
    > Uma equalização de baixo, por exemplo, pode ficar ótima
    > quando este acompanha dois violões e percussão e
    > péssimo quando acompanhar guitarras e metais...Os
    > outros instrumentos também interferem na equalização
    > durante uma mixagem (mascaram ou destacam, cancelam
    > ou preenchem).

    Isso acontece quando temos dois ou mais instrumentos ou vozes atuando na mesma faixa da frequencias. Bons exemplos são: baixo X bumbo; voz principal X back; guitarra líder X base. Nessas situações onde existe conflito, devemos retirar determinadas frequencias num instrumento, para que o outro possa "respirar".

    Soluções:

    (São indicações para uso em PA. Também funcionam em estúdio, mas aí pode-se trabalhar antes com a escolha e posicionamento dos mics, além de se usar melhor a acústica da sala).

    - No bumbo, reduza 3 a 6dB na faixa entre 300Hz a 500Hz (depende do instrumento e mic utilizados) para que o baixo possa aparecer melhor. Neste, um pequeno reforço entre 400Hz ou 500Hz neste, pode ajudar.

    - Atenue entre 2k e 3k (ou entre 3k e 4k) nos backing (vocais) para que o cantor principal tenha mais destaque. Essas frequencias já sao realçadas pela maioria dos mics para vozes.

    - Procure dar uma suave queda nos médios altos e agudos na guitarra base (que precisa ser mais encorpada) e atenue as frequências + baixas no instrumento líder. Cada uma então, terá seu lugar definido no espectro. Antes disso, experimente novas posições do mic que capta o amp do instrumento (leia mais na FAQ, sobre microfonação de guitarras).

    O sucesso dessas técnicas depende muito dos instrumentos e mics utilizados, e só tem valor se seu P.A. está corretamente alinhado, sem desequlibrio entre frequencias, e o ambiente sem muitos defeitos na acústica. Se há grandes irregularidades na resposta do sistema como um todo, seu trabalho de equalização individual dos instrumentos será uma "missão impossível".

    Até o estilo musical tem peso aqui, por isso o técnico deve ter bom ouvido e certa intimidade com o material do show. Não procurem trabalhar com estilos que não conhecem. Tenho feito eventos com música erudita (ao ar livre, onde é necessária a amplificaçao) com sucesso, coisa rara numa cidade onde a maioria dos técnicos é "pagodeiro"... :-)

    Sempre é preferível atenuar em vez de reforçar, e procurem evitar valores acima de 6dB, salvo casos especiais (roll-off de graves na guitarra, por exemplo).

    Em caso de EQ paramétricos, o Q tambem é importante aqui - se não tem muita intimidade com esse controle, começe com valores em torno de 1. Valores menores são usados para instrumentos com muitos harmônicos (cordas) ou abrangem uma área no espectro relativamente extensa (instrumentos solistas, vozes, etc). Valores maiores são de ajuste + critico e adequados a percussão e bateria (instrumentos de frequência fixa e/ou não definida), ou eliminação de ressonâncias.

    E tem mais: uma determinada equalização numa mesa nem sempre dá o mesmo efeito em outra, mantidas todas as demais condições. Por exemplo, +6dB/500Hz numa Mackie não é o mesmo que +6dB/500Hz numa A&H. Os circuitos são diferentes, largura de faixa e "slope" idem, etc etc. E nem sempre podemos confiar no que está escrito: Alguém já tentou medir e conferir se as indicações de frequência e atenuação / reforço impresas no painel das mesas (principalmente nas de baixo custo) são mesmo exatos?? Experimentem... he he

    > Penso que deve-se tomar as "receitas de bolo" como dicas
    > para um ponto de partida de uma equalização original,
    > criativa e incorporada na estrutura da música que, por ironia,
    > deve essa equalização ser feita na tentativa e erro.

    Verdade verdadeira: embora essas receitas não façam milagres, são bem vindas. É preciso que o principiante tenha um ponto de partida e um roteiro a seguir, senão o aprendizado torna-se muito dificil e empirico. Não se aprende nada chutando (só futebol...).

    Edu Silva



    De: oseias <oseiasrs§yahoo.com.br>
    03/11/02 21:00
    Assunto: [Audio List] ressonancia

    ola lista, nesta ultima sexta feira, tive uma experiencia com um P.A. e gostaria de uma ajuda para saber o que sucedeu.

    1º problema: Na passagem de som da bateria notei que os tons da mesma, estavam com um som estranho, com muita ressonancia (um som de balde)nao teve equalizacao na mesa que eu nao fizesse, mas o som continuou ruim, ficou assim mesmo pois eu nao tinha mais tempo mesmo.

    2º problema: nao sei se é o correto, mas eu deixei o equalizador crossover e master da mesa em zero dB, mas notei que no ultimo show quando o operador estava me passando essa banda para mim, que o som estava bem mais alto e os amplificadores de potencia e a mesa nao chegavam a encostar tanto no vermelho com desta vez.

    oseias.


    De: "Studio2001" <studio2001§uol.com.br>
    03/11/02 23:43

    POSSO TE DAR UMA RESPOSTA PARCIAL:

    EM MEU CASO TINHA O MESMO PROBLEMA EM ESTUDIO NÃO HAVIA MEIO DE ACERTAR O SOM DOS TAMBORES NEM COM EQUALIZAÇÃO, COMPRESSÃO, NADA...

    JA HAVIA TRABALHADO COM MUITAS BATERIAS ATÉ BOAS PEARL EXPORT, YAMAHA, PREMIER, EMBORA FOSSEM TODAS DE SERIES SIMPLES. FOI QUANDO COMPREI UMA TAMA STAR CLASSIC DE BIRCH, DAI PRA FRENTE TUDO MUDOU POIS O SOM DO INSTRUMENTO JA VEM PRONTO.

    NA MINHA OPINIÃO A FONTE SONORA DEVE SER LEVADA COM PRINCIPAL PONTO. POIS É O MESMO QUE PEGAR A VOZ DA KELLY KEY E QUERER OUVIR O TIMBRE DO FRANK SINATRA.

    DIRCEU
    STUDIO2001


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    05/11/02 18:14

    Oi, Oseias

    oseias escreveu:
    >
    > ... muita ressonancia (um som de balde) nao teve
    > equalizacao na mesa que eu nao fizesse,mas o som
    > continuou ruim, ficou assim mesmo...

    Voce poderia passar o resto da noite tentando e não conseguiria. Veja as mensagens da FAQ sobre microfonação e gravação de bateria. O ponto mais importante é que - sem um bom instrumento, voce jamais conseguirá um bom som. Se a propria bateria já tem esse som de balde, no P.A. voce tambem terá som de balde...

    > 2º problema: nao sei se é o correto, mas eu deixei
    > o equalizador crossover e master da mesa em zero dB...

    Não é assim, fácil, senão os aparelhos já viriam com os controles lacrados em 0dB, não concorda? :-) Leia a FAQ onde falamos sobre estrutura de ganho, e estude bem.

    abraços,
    Edu Silva
    ES2 Audio



    De: "Fernando Canal." <design§recaflex.com.br>
    06/10/03 10:14
    Assunto: [Audio List] Som embolado no baixo

    Um viva a todos!

    Seguinte; Está tendo uma exposição feira na minha cidade, um evento grand, reúne mega shows com "artistas" famosos as vezes com mais de 60 mil pessoas.

    Há neste evento um segundo palco bem ao lado, que é voltado a bandas regionais, este palco troca de banda a cada hora.

    O som neste sábado e domingo estava praticamente perfeito, voz, guitarra e bateria tudo muito legal. Mas o baixo completamente embolado, mesmo q o cara fizesse melodias, o som saia um grave meio homogêneo que inundava o ar, sem nenhuma definição.

    Minha banda vai tocar lá no sábado, tocamos funk dos anos 70 e rock and roll com baixos de grande importancia para a qualidade musical, há casos em q o baixo fica fazendo uma melodia bastante trabalhada, emquanto a guitarra quase nem sai.

    Existe algum truque, direct box ou pré amp q possa ajudar a definir o baixo? e as regulagens, tanto de amp e baixo, como vocês podem recomendar?

    O ampli é uma cabeça Gallien Krueger com 2 caixas, uma de 2 falantes e outra com 1 falante que deve ser de 18"

    Valeu
    Muito obrigado a todos!
    Fernando Canal


    De: Lullu Skajerrat <lullu_skajerrat§yahoo.com.br>
    06/10/03 13:39

    Ola Fernando e lista...

    Não sou nenhum especialista em PA, mas já passei por uma experiência parecida com minha banda... Conversando com o técnico resolvemos isso da seguinte maneira.

    O Baixo era um Warwick que tem um grave muito bom, mas o médio-grave, freqüências onde temos a presença do baixo, não é muito definido ao contrario de um Fender por exemplo. Enfim. Na mix o fizemos o seguinte: o peso do bumbo ficou em uma freqüência entre 60 e 100 Hz, e essas mesmas freqüências atenuadas no baixo e acentuamos algo em +- 120 a 150 Hz.

    No meu caso funcionou bem. Troque uma idéia com o técnico para um evento deste tamanho deve ser uma pessoa experiente.

    Luciano Mendes


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    06/10/03 16:39

    "Fernando Canal." escreveu:
    >
    > Um viva a todos!

    Viva !!!!

    > ... Mas o baixo completamente embolado, mesmo q o cara fizesse
    > melodias, o som saia um grave meio homogêneo que inundava o ar, sem
    > nenhuma definição.
    > Minha banda vai tocar lá no sábado, tocamos funk dos anos 70 e rock...

    Todos os baixos estavam ruins? Não ficou claro, mas parece que em todas as bandas o baixo não saia bem, certo? Então o problema não é com o instrumento.

    > Existe algum truque, direct box ou pré amp q possa ajudar a definir o
    > baixo? e as regulagens, tanto de amp e baixo, como vocês podem
    > recomendar?

    Voces vão levar seu proprio ampli ou lá já tem um? De qualquer forma, me parece que o caso é mais embaixo, não é uma regulagem qualquer que vai resolver.

    > O ampli é uma cabeça Gallien Krueger com 2 caixas, uma de 2 falantes
    > e outra com 1 falante que deve ser de 18"

    Imagino que seja o equipamento que a locadora disponibiliza para as bandas, correto? Não é o melhor do mundo mas resolve.   altou muita coisa em sua mensagem. Por exemplo, o som do baixo estava bom no palco (com o P.A. desligado) e só piorava quando saia no P.A.? Ou já era ruim desde o inicio? Saber isso já ajudaria muito.


    E como foi feita a captação lá? Microfonaram a caixa ou usaram uma saida de pre? Faz toda a diferença do mundo. Microfonar o baixo num PA nem sempre funciona bem, o melhor é usar uma DI ativa ou uma saida de pré no amplificador.

    Tendo que microfonar, pelo menos que seja feito em um dos falantes de 10", para captar melhor a articulação e slap. Se puder pegar uma linha direta (pre) e mixar com o mic, melhor - corte os graves no mic e equilibre.

    Se a saida do ampli for balanceada, não precisa usar DI. Aliás, uma DI barata é pior que nenhuma - se o trafo for pequeno, ele satura com os graves e a distorção não é nada bonita. :-P O melhor é sair direto do ampli para a mesa.


    Outro ponto importante: onde o ampli estava? Se estiver próximo do PA pode haver cancelamento de algumas frequencias e reforço em outras, devido a interferências entre as ondas sonoras emitidas pelas caixas do baixo e do PA.

    Para resolver (ou pelo menos amenizar) o problema, mova o ampli e procure outra posição. Deve ajudar. Experimente tambem inverter a polaridade do sinal do baixo que vai pra mesa (no canal da mesa, ou com um cabo com as ligações invertidas em uma das pontas) ou das caixas do ampli. Se isso não resolve, desloca as frequências afetadas e pode tornar mais fácil eliminar o problema com a mudança de posição.


    Outra forma de resolver (definitivamente) é com um atraso aplicado ao PA, como já discutimos aqui antes. Consiste em atrasar o sinal do PA (com um delay digital) em alguns milisegundos de forma que esteja sincronizado com o palco.

    Ou pelo menos, atrase o sinal do baixo que vai para a mesa. Meça a distância entre o ampli e as caixas de graves mais próximas. Para cada 34cm, atrase 1ms.


    Mais uma coisa que pode atrapalhar: se o piso do palco for de má qualidade, de madeira fina de solta, ele irá vibrar em ressonância com as notas do baixo, empastelando tudo. A solução seria (na impossibilidade de se trocar o palco) colocar o ampli sobre uma base pesada e sólida. O problema é que se o piso é fraco, pode não aguentar...


    abraços,
    --
    Edu Silva
    ES2 Audio


    De: "Fernando Canal." <design§recaflex.com.br>
    06/10/03 19:19

    > Todos os baixos estavam ruins? Não ficou claro, mas parece que em todas
    > as bandas o baixo não saia bem, certo? Então o problema não é com o
    > instrumento.

    Todos os baixos ruins, inclusive um Cherutti, q o cara gastou mais de 5 pau. Os músicos em geral também eram todos bons, cm sensibilidade para arrumar o som lá em cima do palco.

    > Voces vão levar seu proprio ampli ou lá já tem um? De qualquer forma, me
    > parece que o caso é mais embaixo, não é uma regulagem qualquer que vai
    > resolver.

    Pois é, estou me conformando q regulagem não vai resolver.... O amp é da locadora, e não vi nenhum microfone. (não pude olhar como é a ligação atrás do amp pois ainda não subi no palco.

    O espaço é grande, se for ver por capacidade, suporta umas 70 mil pessoas, ao ar livre. Apenas o palco é coberto.

    Algumas fotos:
    http://www.recaflex.com.br/aula/palco2.jpg
    http://www.recaflex.com.br/aula/palco2a.jpg

    São 3 torres de PA e ficam bastante longe do palco. É o mesmo som utilizado nos "megashows" que acontecem mais a noite no palco ao lado.

    Em apenas um momento ouvi o som do palco com o P.A. desligado, não deu tempo de prestar atenção :( O som que vem do amp desaparece com o som do P.A. que é forte e bem definido (exceto o baixo claro)

    O piso não me parece ser tão rígido, é piso de palco montado, debaixo dele é oco.

    Só temos 1 hora para arrumar o som e tocar, acho então que não vai dar pra ficar indo atrás de DI box, conversar com o tecnico... vai ter que ficar na emboloração mesmo, estou me conformando...

    Outro fato que nem mencionei (esse vai ser engraçado) em uma das músicas (Quem já ouviu Paranoid versão live do grand funk?) o baixista liga um pouquinho de fuzz só para deixar o baixo fritando... vai ser uma experiência bem legal...

    Temos um JazzBass Brasileiro da Fender.

    Valeu!
    muito obrigado a todos que leram!
    Fernando Canal


    De: "Fabricio Carvalho" <fabcarvalho§brturbo.com>
    07/10/03 02:41
    Assunto: [Audio List] Som de baixo ( Era: Som embolado no baixo )

    Edu silva escreveu:
    >
    > se o trafo for pequeno, ele satura com os graves e a distorção não é nada
    > bonita. :-P ...

    Distorção no baixo.... bem, sempre que eu grava alguma banda ( bandas de rock, diga-se de passagem ) , tinha problemas de definição no som do contrabaixo , até que um dia baixei a versão free do protools e também baixei uma musica de demonstração que vinha junto..abri a tal musica.. sonzeira..um rock´n rol bem legal.. então comecei a "solar" os canais e ver todos os instrumento um a um..

    bem vamos lá.. a batera.. parecia q tava num banheiro..muita reverberação.. parecia horrivel.... depois o baixo.. bem esse tava "distorcido".. bem diferente do que a gente ouve num amp de baixista...a guitarra tambem ..tava bem aguda.. e por ae ia.. mas qdo escutava tudo junto..q maravilha...o reverb da batera sumia.... a distorção do baixo também..e a guitarra ficava uma beleza.....desde então.. comecei a aplicar isso nas minhas mixagens...tenho um sansamp PSA-1.. e qdo vou gravar o baixo.. gravo ele flat.. sem nada ..efeito nenhum... e dpois na mix..passo o canal do baixo .. pelo sansamp.. e vou botando drive...até ele definir.. fica uma blz... mas se vc escuta sozinho parece horrivel..

    Acho q isso tem que ser aplicado a mixagem em som ao vivo tambem.. já vi muitos operadores passando o som de cada instrumento individualmente.. e tudo maravilhoso mas qdo junta tudo..fica horrivel.. tons com som de papelão, baixo e guitarras sem definição, etc..

    Bem é isso ae.. o meu conselho é vc conseguir um sansamp bassdriver ( DI para baixo ) e botar o drive nele até definir.. mas não exagere!!

    Abçs!!
    Fabricio


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    07/10/03 09:45

    Olá lista,

    Eu escreví:
    >
    > se o trafo for pequeno, ele satura com os graves e a distorção não é
    > nada bonita. :-P ...

    fabcarvalho§brturbo.com escreveu:
    >
    > e qdo vou gravar o baixo.. gravo ele flat.. sem nada ..efeito
    > nenhum... e dpois na mix..passo o canal do baixo .. pelo sansamp.. e
    > vou botando drive...até ele definir.. fica uma blz... mas se vc
    > escuta sozinho parece horrivel..

    Fabricio, eu falei sobre a distorção por saturação no transformador de uma DI barata. É desagradável, bem diferente daquela que voce consegue num bom pedal de efeito, construido especialmente para isso. Distorção num baixo pode ser muito bem vinda (nunca ouviu o Chris Squire?), mas não com uma DI inferior.

    Já dei aqui uma dica nesse sentido, para gravação de baixo: use uma DI ativa de muito boa qualidade (e sem distorção) para dividir o sinal em dois. Uma saida mande para a mesa, onde o sinal limpo será trabalhado adequadamente; a outra voce manda para um ampli de guitarra (valvulado), que será microfonado (com distorção e tudo) e seu sinal irá para outro canal da mesa.

    Voce deve gravar esse canal já com a equalização (sem graves) e distorção da caixa, pois ela faz parte do som que o baixista deseja, e ele precisa ouví-la enquanto toca. Depois, é só equilibrar os dois canais (direto e microfonado / distorcido) na mixagem final.

    Mais dicas:

    http://audiolist.cjb.net/faq/faq_mic_eletro.html#2

    > ... já vi muitos operadores passando o som de cada instrumento
    > individualmente.. e tudo maravilhoso mas qdo junta tudo..fica
    > horrivel.. tons com som de papelão, baixo e guitarras sem definição,
    > etc..


    Parece que não é o caso que o colega relatou. Os instrumentos estavam todos bons na mixagem, apenas o baixo decepcionava.

    > Bem é isso ae.. o meu conselho é vc conseguir um sansamp bassdriver
    > ( DI para baixo ) e botar o drive nele até definir.. mas não exagere!!

    Para resolver definitivamente um problema, sem "remendos", precisamos antes de mais nada conhecer as _causas_, e então atacá-las. Não parece que o problema do Fernando é a falta de um pedal, embora possa até ajudar.

    Lembre que muita gente toca baixo sem drive nem efeito nenhum e fica muito bom. Primeiro o instrumento deve soar bem por si só, depois é que iremos trabalhar melhor seu som, ou nunca chegaremos a um resultado perfeito.

    Lullu Skajerrat escreveu:
    >
    > O Baixo era um Warwick que tem um grave muito bom, mas o médio-grave,
    > freqüências onde temos a presença do baixo, não é muito definido ao
    > contrario de um Fender por exemplo. Enfim. Na mix o fizemos o seguinte
    > o peso do bumbo ficou em uma freqüência entre 60 e 100 Hz e essas
    > mesmas freqüências atenuadas no baixo e acentuamos algo em +- 120 a
    > 150 Hz .

    É a "equalização complementar" (já discutido aqui na lista em diversas ocasiões), onde reforçamos certa faixa num instrumento e atenuamos a mesma faixa em outro, evitando "brigas". Funciona bem, desde que o resto ajude.

    Para descobrir a faixa correta, pegue uma via de EQ paramétrica na mesa e ajuste para um Q estreito (3 ou mais), com corte de uns 6dB. Faça uma varredura nas frequências graves até uns 150Hz e pare onde encontrar o melhor som. Faça isso enquanto o batera toca. Depois, é só trabalhar melhor o Q e corte.

    Alguns técnicos preferem fazer o contrário: reforçar (em vez de atenuar) enquanto fazem a varredura, e quando o som piora, foi encontrada a faixa de interesse. Então atenua-se como manda o figurino. Depende do ouvido, faça das duas maneiras e adote a que mais gostar.


    Um drive, como o Fabrício sugeriu, dá origem a processo semelhante em outra faixa: estende a resposta do baixo em direção às altas frequências, criando harmônicos. Isso faz o baixo aparecer mais numa mixagem "apagada". Por outro lado, se já existir muita coisa nessa faixa média-alta - sax, voz feminina e violão de cordas de aço, por exemplo, a emenda pode sair pior que o soneto. Um bom ouvido aqui é quem decide.


    Outra: é comum, um técnicos pouco experiente querer resolver esse tipo de situação através de panacéias e soluções miraculosas, e o compressor é o segundo "milagre" mais lembrado, só perdendo para o equalizador.

    Compressão indiscriminada aqui só pode piorar as coisas, na medida em que pode acabar com a dinâmica do dedilhado e slaps, justamente o que poderia "desembolar" o baixo. Já conversamos aqui sobre situação semelhante há poucos dias, quando a Rosana levantou a questão:

    http://audiolist.cjb.net/faq/faq_studio_mix.htm

    Um compressor pode ser utlizado de muitas maneiras, não apenas como "todo mundo" faz. Aí sim, pode ser interessante.

    Um truque que costumo utlizar no baixo (mas geralmente só em gravações, por demandar algum tempo para o acerto) é ter dois canais para o baixo: um comprimido, outro limpo. Misturo os dois, sendo que no canal comprimido procuro o "corpo", e no limpo, o ataque.

    Também pode ser tentado o efeito de "duck" explicado aqui há não muito tempo, com um compressor insertado no canal do baixo e o side-chain ativado pelo bumbo. A cada pulsação do bumbo, o baixo cai um pouco. É um efeito específico, a ser tentado quando há disputa entre esse dois instrumentos. Dá um som típico dos anos 70 e 80 (disco), e nem sempre agrada, mas vale tentar. Vejam detalhes na FAQ:

    http://audiolist.cjb.net/faq/faq_equip_perif.html

    Graves, distorcidos, equalizados e comprimidos abraços a todos,

    --
    Edu Silva
    ES2 Audio



    CONTINUAÇÃO DE OUTRA SÉRIE DE MENSAGENS

    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    21/04/04 17:08

    KVG Audio escreveu:
    >
    > Tenho de discordar com vc no uso do gate em caixa.

    Tudo bem, mas no dia em que voce tiver de microfonar uma batera de jazz, e o sujeito pegar as vassourinhas... :-P

    Quando tenho vazamento de graves no mic de caixa, simplesmente uso um low-cut mais "brabo". Em vez dos 100Hz tradicionais (sempre ligado no canal da caixa, em PA), subo pra 150 ou 200Hz. A caixa pode ficar magra mas pelo menos não ressoa. Dos males, o menor.

    Se for preciso microfonar a esteira também, aí sim um gate vem a calhar, ela tem o terrivel mau hábito de "tocar sozinha" acompanhando o resto da banda. Nesse caso o gate deve ser disparado pelo mic da pele, só abrindo quando o batera ataca a caixa. O ajuste é meio critico, deve ser praticado antes, e não é qualquer gate que pode funcionar assim.

    Mas isso só em eventos grandes ou gravação. De resto, um mic só, na pele de cima já resolve. O mesmo vale pro mic de cimbal: quantas vezes voce já precisou dele?

    Essa prática (microfonar o chimbal em separado) começou nos anos 70, com a era "disco", quando você precisava mesmo ouvir o dito cujo. Na música de hoje, esse _microfone_ não faz muita falta (me refiro ao mic, não ao chimbal), e muitas vezes o chimbal sobra, vazando em outros canais.

    Se o cliente insistir, instale e deixe o canal mutado. Pense duas vezes na hora de usar, na maioria das vezes atrapalha mais do que ajuda. O próprio mic da caixa, na posição certa, capta muito bem o dito. Quem preferir usar, tudo bem, mas nada de gate. Corte tudo abaixo de 400 ou 500Hz e resigne-se com o vazamento da caixa nele... Não adianta muito usar gate, graças à sua sonoridade característica. Se ajustarmos para disparar ao menor toque, as outras peças abrirão o gate a todo momento. Mesmo um filtro (recurso visto em gates profissionais) não ajuda muito, quando o batera ataca os pratos.

    Em gravações (disco music a parte), tudo o que voce precisa é um bom par de overs, um chimbal que lhe dê o timbre esperado e um bom batera, que saiba equilibrar o kit (quero dizer, que ataque cada peça com a intensidade certa). O chimbal vai sair pelos overs.

    Edu Silva
    ES2 Audio
    Salvador-BA


    De: Fabrizio Pinna <fabrizio_pinna§yahoo.com>
    21/04/04 17:13

    --- Edu Silva <bahi0387§terra.com.br> wrote:
    >
    > Se for preciso microfonar a esteira também, aí sim um gate vem a calhar,

    Neste caso dos dois mics (pele e esteira), não seria necessário inverter a fase do mic de baixo para não cancelar com o da pele?


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    22/04/04 17:42

    Sim, mas é que já falamos tanto nisso aqui na lista, que achei que não fosse preciso rever. Basta ter um cabo XLR "especial" para o mic da esteira. Este deve ter as ligações dos pinos 2 e 3 invertidas em apenas um cos conectores. É bom marcar esse cabo para evitar trocas indevidas.

    Ah, não é só esse mic que deve ser invertido, mas quando microfonamos a pele inferior da zabumba, também, pelo mesmo motivo.


    Outra: o bumbo também merece a inversão. Ele, ao contrário das demais peças da bateria e similarmente à esteira da caixa, é microfonado "por trás", isto é, pelo lado oposto ao batedor.

    Com isso, quando o músico pisa no pedal, o batedor (maceta) acerta a pele e esta "entra" no bumbo, gerando uma pressão positiva no microfone. Nas outras peças, acontece o oposto: ao ser atacada, o movimento da pele cria uma pressão negativa no microfone. Inverter a polaridade do mic do bumbo põe as coisas em seu devido lugar.


    Mas a vantagem disso é no palco, mais exatamente no monitor de bateria: ao ser atingindo, a pele do bumbo "entra", cria uma pressão positiva no microfone e isto resultará num movimento "para fora" do falante do monitor. Temos um cancelamento.

    Na prática, porém, isso vai depender do caminho percorrido pelo sinal, e a possibilidade (ou não) de inversão de polaridade ou atrasos. Em vez de quebrar a cabeça com isso, simplesmente experimente inverter a polaridade da(s) caixa(s) de monitor de bateria e deixe como ficar melhor - bumbo mais pesado e nítido. Mas sempre use o canal do bumbo invertido, seja pelo cabo especial, ou pela chave especifica no canal da mesa, caso exista. Mantém a coerência com o resto da bateria.


    Em pequenos PA's a providência também vale, mesmo não existindo via de retorno especifico p/ o batera. O PA pode "brigar" com o bumbo, conforme falei aqui há uns dias. Tente inverter a polaridade do mic do bumbo e deixe como ficar melhor. Ou use sempre o bumbo invertido e experimente inverter o PA, pode dar melhor resultado. Não se esqueça de testar o mesmo no baixo também.

    Enfim, não há receita de bolo, faça experiências e encontre a melhor solução para cada caso.

    --
    abraços,

    Edu Silva
    ES2 Audio
    Salvador-BA



    De: Edu Silva
    28/08/03 22:08
    Assunto: [Audio List] Compressão e limitação

    Olá, lista

    Algumas discussões sobre compressores e limitadores rolaram aqui nos ultimos dias, e preferí comentar todas num só mail, para não encher a lista com minhas mensagens...

    Alberto_Valério <alberto.souza§camara.gov.br> wrote:
    >
    > A minha finalidade é usar para voz, em um studio que estou montando
    > em minha casa para ensaio.

    Compressor para voz em ensaio? Sugiro que leia o que falamos há alguns dias sobre compressor em palco (retorno), vale tambem em ensaios.  Nunca faça isso, voce terá microfonia e prejudicará a dinâmica do cantor, forçando sua voz inutilmente. Mais útil aqui (embora não indispensável) seria um limiter + gate, corretamente ajustados. Para mais detalhes, procure e leia atentamente a mensagem em questão.

    > Aproveitando a oportunidade, você sabe me informar se o compressor é
    > usado individualmente para cada microfone ou é usado para tudo que
    > está ligado na mesa?


    Pior. O Ingo disse bem:

    Ingo Arthur Freiherr von Ledebur escreveu:
    >
    > ... se tiver q comprimir so a voz pricipal, pra q comprimir tudo?


    Alberto, voce não vai poder comprimir a banda toda num ensaio. Como pensa em fazer isso se nos monitores na sala só sairá a voz e algum instrumento acústico, conforme discutido aqui na lista tantas vezes antes?

    Mas, se mesmo assim, pensa em incluir todos os instrumentos nos monitores porque não tem como investir em amplis individuais (segundo um e-mail anterior seu) então deveria deixar a aquisição do compressor para mais tarde, e usar os recursos para os monitores de instrumentos e fones.

    Não insista em querer fazer as coisas da maneira errada, esperando que funcionem com você, se não dão certo com os outros.

    De: "Ivo Jose" <ivojose§pop.com.br>
    >
    > Ola alberto.Em PA vc pode usar dos dois jeitos,depois da mesa como
    > limiter ou em cada canal como compressor.No seu caso(não manjo nada de
    > estudio)eu usaria como limiter para proteger os retornos e aumentar o
    > volume aparente, em cascata depois do equalizador. alguem faz
    > diferente?Eu sempre fiz assim, sera que to errando?


    Se voce o usa depois do equalizador, terá de ter muito cuidado em seu ajuste, pois qualquer alteração feits no eq ira inluir no ponto de funcionamento do limiter.

    Na verdade, como já falei aqui outras vezes, para melhor aproveitamento voce precisa de um limiter para cada via, num sistema multiamplificado. Logo, deve haver um para cada via do crossover, nas saidas deste.  Assim não haverá o efeito de "modulação", que notamos quando, por exemplo, a cada pulsação do bumbo, a voz cai de nível.

    A explicação é simples: se elevamos muito o nivel no canal do bumbo (para este exemplo), chega um ponto em que atingimos o limiar (threshold) de atuação do limiter, que então cuida para que o sinal tenha sua intensidade reduzida afim de não ultrapassar o nivel preestabelecido. Ora, como temos apenas um limiter comandando todo o sinal de áudio, tudo terá sua intensidade reduzida - vozes, teclados, guitarra... e não apenas o bumbo.

    Uma considerável evolução nessa técnica consiste em separar o sinal em mais de uma faixa de frequencia (pelo menos tres) e limitar cada uma em separado. Isso pode ser feito com limiters individuais após cada via do crossover.  Assim, um pico nos graves, por exemplo, irá disparar apenas o limiter dessa via, não compromentendo o bom funcionamento das demais.

    Em sistemas monoamplificados, como muitas vezes vemos em som de palco, uma saida seria compressão multibanda: divida o sinal em 3 ou 4 vias, limite cada uma delas independentemente e some de novo, enviando o sinal ao amplificador único.  Funciona bem, e vemos essa técnica com frequencia em emissoras de rádio e TV.

    Uma alternativa mais simples é aquela que existe em alguns limitadores: o filtro de "contorno" que atua em seu sinal de controle. É um filtro que promove um roll-off (queda) de baixas frequencias no sinal que serve para acionar o limitador, não interferindo no audio. Isso faz com que o aparelho seja menos sensivel aos graves, e assim não vai "engolir" sua mixagem a cada pulsação do bumbo.

    André Lourenço escreveu:
    >
    > Edu, fui numa casa noturna que tinha um compressor para cada via do
    > crossover.... eu achei "meio errado", colocando todos em bypass o som
    > melhorou dum tanto..... O dono do lugar disse q era para não
    > 'queimar' o som...
    >
    > Não seria a questão de só usar os limiters? ou usar comopressores
    > mesmo??


    Sim, para proteção devemos usar limiters, mas só quando sabemos o que estamos fazendo. Um limiter mal ajustado pode ter um efeito contrário, e acabar "queimando o som" de uma vez...  Se voce ajustar o limiter com um threshold muito baixo, o nivel medio do sinal será por demais constante, o que alem de prejudicar a dinâmica põe em risco aos falantes do sistema, em vez de protegê-los.

    A energia elétrica que os amplificadores aplicam aos falantes é convertida em som e (na maior parte) em calor. Esse calor se acumula nas peças metálicas do falante, e precisa ser dissipado antes que cause problemas (queima da bobina).  Em condições normais, o falante se aquece durante os picos de sinal (passagem fortes) e é resfriado nas passagens onde o nivel é menor.

    Ora, se temos um limiter (ou compressor) mal regulado, o nivel médio do sinal será muito elevado e quase constante (baixo fator de crista), sem muita variação entre passagens fortes e fracas. Os falantes irão se aquecer demais assim, sem tempo de se resfriar.

    As consequências são: compressão térmica (perda de eficiência dos falantes devido ao aquecimento) e finalmente o dano permanente, com o descolamento dos fios da bobina de sua forma.

    A solução? Um limiter p/ cada via e uma mão experiente nos controles. Não sendo possivel, melhor nem tentar...

    Luiz Reis IG escreveu:
    >
    > Compressão, na minha humilde opinião, não tem "receita de bolo",
    > depende da fonte de programa e do que vc quer fazer com essa fonte.


    Certo, mas um ponto de partida sempre ajuda. Muitas vezes o novato nem sabe por onde começar, e isso é frustante. Mexe nos botões a esmo, tentando entender para que servem, e com frequencia acaba desistindo...

    Uma boa dica: nos manuais dos aparelhos costumam vir dicas de compressão, com alguns ajustes básicos para cada instrumento que poderão servir de referência para depois "afinarmos" de acordo com a necessidade.

    Na FAQ tambem há alguns exemplos a serem experimentados e tomados como base para o aprendizado.

    Mauricio Domene escreveu:
    >
    > Hoje isso não vale mais. O compressor passou a ser usado como
    > efeito... basta ouvir Daft Punk pra entender bem isso.


    Bom, mas esse uso só é válido em determinados estilos musicais, onde se apilca essa estética. O caso é que muita gente acredita que pode (e deve) usar desse efeito em qualquer coisa, "para dar mais punch", como virou moda dizer. :-P

    Mas na maioria das vezes, esse "punch" não é necessário, e quando é, o compressor frequentemente termina por ter efeito contrário e acaba com o "peso" da música. Já vimos comentários sobre isso aqui antes, de como o tiro sai pela culatra.

    O pior é que o público vem aos poucos se acostumando com esse som "chapado" e sem vida, achando normal. Só percebem o que estão perdendo quando vão a um show de sua banda predileta e têm sorte de ter um técnico consciente no controle do sistema.

    abraços,
    Edu Silva
    ES2 Audio


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