Audio List / FAQ / Sonorização & PA
    Teoria e prática (2)

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    Sub pelo auxiliar
    Frequências de corte no crossover
    Estrutura de ganho
    Alinhando e equalizando o PA
    Alinhamento de fase no PA
    PA mono

     
    Sub pelo auxiliar



    TRANSFERIDO PARA A NOVA AUDIO LIST

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    Frequências de corte no crossover


    TRANSFERIDO PARA A NOVA AUDIO LIST

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    Estrutura de ganho


    TRANSFERIDO PARA A NOVA AUDIO LIST

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  • Alinhando e equalizando o PA


    TRANSFERIDO PARA A NOVA AUDIO LIST

    http://audiolist.org/forum/kb.php?mode=article&k=177

    Saiba mais:

    .

    Alinhamento de fase no PA


    De: Intercessom Sonorização <intercessom§yahoo.com.br>
    16/07/02 ter 21:45
    Assunto: [Audio List] Crossover Behringer

    Caros amigos,   Estou construindo um sistema de P.A. de 3 vias e só está faltando o crossover. Já tenhos as caixas, amplificadores, etc.

    Porém minhas caixas acústicas de sub-grave possuem falantes de 18" (WPU1805) frontais e as outras caixas (médio-grave e médio agudo), possuem falantes de 12" (WPU1201) cornetados e drivers de titânio (D305TI). Como os falantes de 18" são frontais e os de 12" são cornetados poderia ocorrer desvio de fase.

    O Dênio me disse uma vez (em outra lista) que este problema poderia ser resolvido com um crossover digital. Eu estava observando o crossover Behringer "Super-X Pro" e notei duas teclas:"Delay" e "Low Phase Invert". Perguntas: Este crossover resolveria o meu problema? Como eu utilizaria estes comandos? Alguém já utilizou ou utiliza este crossover e poderia expor sua opinião?

    Ailton Alcântara.
    Intercessom Sonorização.
    Belo Horizonte - MG.

    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    17/07/02 qua 14:39

    Oi Ailton,

    Pode não ser esse o caso. Esses problemas ocorrem quando o caminho a ser percorrido pelo som nas caixas de graves é mais longo (ou mais curto) que o da de medio-graves. Geralmente se dá em cornetas dobradas (tipo W-horn e similares).

    Suas caixas de medio-graves são de carregamento frontal sem dobras, portanto, basta alinha-las de forma que as bobinas dos falantes fiquem verticalmente alinhadas entre si.

    Mesmo em sistemas mistos, com diversos tipos de cornetas, é possivel se chegar a bom termo sem o uso de delays, como no sistema ES2 (de minha autoria). Composto de uma caixa Nova 15 (corneta dobrada para 15") e uma Nova 10 (corneta exponencial não dobrada para 2x10"), foi projetado de forma que basta se inverter a polaridade de uma das caixas (a de graves) para que se tenha perfeita coerência de fase na frequencia de corte, quando empilhadas.

    Nos medios o problema é menor, mas pode ser facilmente corrigido (se as bobinas não puderem ser alinhadas) mudando a posição do driver (e/ou sua polaridade) de forma que os sinais dele e da caixa de medio-graves estejam coerentes. (no caso do sistema ES2 isso também foi previsto).

    Nos agudos (para quem usa tweeters), isso não é necessário, pois os comprimentos de onda são muito pequenos, o efeito não é notado em P.A. (apenas em monitores e HiFi).

    Edu Silva


    De: "Alencar Sena Saldanha" <alencar_s_saldanha§yahoo.com.br>
    18/07/02 qui 08:58
    Assunto: Re: [Audio List] Crossover Behringer (DELAY NOS GRAVES)

    No caso de usar medio graves 12 cornetados e graves bass reflex, a inversao de polaridade nos graves tambem relsolveria o problema?

    Posso usar um multiefeito (spx, midiverb) na saida de graves do crossover para obter o delay? Qual o tempo de atrazo?


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    18/07/02 qui 23:14

    Não, Alencar. Nesse caso basta alinhar verticalmente as bobinas dos falantes para que haja a coerência de fase. Se preferir usar um delay eletronico para isso, pode usar um multiefeito, embora eu ache um exagero.

    O tempo de atraso deve ser calculado de acordo com a distância (na horizontal) entre o plano da bobina do(s) falante(s) de graves e o(s) de medio-grave(s). Veja no desenho:

             
    Sabendo que o som viaja a aproximadamente 340m/s (não é necessário grande exatidão aqui) calcule quantos ms de atraso voce precisa. O valor em milisegundos (ms) será igual a d/34 (d = distância em centímetros).

    Exemplo: se a distância entre os planos for de 50cm, o atraso a ser programado no delay (para a via de graves, que no seu caso ficará com os falantes mais a frente) será de 50/34 = 1,47ms (ou aprox. 1,5ms). Veja então que é necessário um aparelho razoavelmente preciso.

    Edu Silva


    PA mono


    De: "Alencar Sena Saldanha" <alencar_s_saldanha§yahoo.com.br>
    18/07/02 09:13
    Assunto: [Audio List] PA MONO

    Quais as vantagens e desvantagens de usar um pa em mono?????


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    19/07/02 18:27

    Boa pergunta.

    Mas o que voce chama de "PA mono"? Podemos ter:

    1) Um único cluster (agrupamento) central de caixas, suspenso acima do palco, como fonte sonora única.

    2) A disposição comum de caixas, uma torre de cada lado do palco, porém, reproduzindo uma mixagem monofônica.

    No caso 1, a maior vantagem é que assim temos um maior controle sobre a diretividade (e por consequência, a cobertura) do sistema de caixas.  Tambem por estarem próximos, os falantes e drivers de diversas faixas de frequencia mesclam seu sinal de maneira mais harmoniosa, menos propícia ao efeito "comb filter".

    Em outras palavras, o agrupamento central de caixas funciona (em tese) como um unico alto-falante, o que torna o sistema mais previsível e facil de se trabalhar.

    Quando temos duas torres de som, uma de cada lado do palco, existe sempre uma interferência entre o sinal irradiado por elas, mais facilmente notada pelo publico localizado a distâncias desiguais das torres.

    No desenho ao lado podemos ver o que acontece quando temos duas colunas de PA reproduzindo o mesmo sinal.

    Os ouvintes que não estão numa linha central imaginária entre as duas, receberão o sinal em momentos diferentes, com um pequeno atraso entre o sinal de uma coluna e da outra.

    Essa diferença de tempos causa irregularidades na resposta em frequência percebida, e o resultado é parecido com o gráfico abaixo (efeito comb filter).
    PA estereo

    comb filter

    Frequentemente, porem, não podemos dispor de um cluster central em nosso sistema, dai termos de fazer compromissos, às custas da qualidade do áudio. Nesse caso, acabamos usando um sistema comum, com torres de cada lado do palco, mas de preferência reproduzindo o audio em mono (caso 2). Não resolve os problemas acima, porem me parece mais sensato.

    Certos operadores costumam mixar o PA como se estivesse num estudio, distribuindo os instrumentos entre as torres esquerda e direita, da maneira "usual": as peças da bateria vão de um lado a outro do PA, notas graves do piano na esquerda e agudas na direita, metade da percussão na esquerda e metade na direita, e por aí vai.

    Muito bonito para quem está no centro da platéia (onde fica a house mix), mas o publico mais proximo ao palco percebe uma imagem estereo totalmente irreal. Simplesmente, o que se ouve não "casa" com o que se vê. Sem falar no "vazamento" do som do palco, ou seja, eles ouvem não apenas o PA, mas o retorno e amplificadores de instrumentos também.

    Pior ainda para quem está mais próximo de uma torre que de outra: os instrumentos que estão posicionados no outro lado quase não são ouvidos, e o equilíbrio da mixagem vai por agua abaixo...

    Uma mixagem em mono põe fim a essa questão (embora ainda reste o problema da interferência entre as duas torres). Em certos casos, podemos adotar uma solução intermediária: quase tudo em mono (endreçado aos canais L e R), porem os efeitos de ambiência (reverb, chorus, etc) podem ser entregues em estereo, assim como o over da bateria, corais numerosos, alguns teclados e efeitos especiais as vezes presentes em musica pop.

    Melhor ainda seria usar uma configuração LCR (esquerda - centro - direita), onde o canal central (C) cuidaria da maioria dos instrumentos e os L e R, dos casos acima (efeitos, etc). Podemos então ter o melhor de dois mundos: as vantagens do cluster central (C) sem perder a ambiência estereofônica (canais L e R), mesmo em ambientes abertos.

    A via de subgraves deve ser sempre em mono, em qualquer dos casos acima. O posicionamnto deles já mereceria outro e-mail só para introduzir o assunto, mas para não deixar algo pela metade, tomem algumas dicas:

    * Os subs devem ser postos em pilha vertical unica, para reduzir a cobertura vertical, mantendo a horizontal.

    * Se for preciso separar os subs em duas torres, devem estar bem afastadas uma da outra (pelo menos 4 vezes o comprimento de onda da freq mais baixa reproduzida, se possivel).

    * Caso os subs precisem ficar arranjados em linha horizontal (abaixo do palco, por exemplo), pode ser interessante o uso de uma bessel array (veja FAQ).

    * Não é necessário que fiquem exatamente sob as demais caixas (a respeito do alinhamento de fase, que discutimos aqui há poucos dias), principalmente em PA suspenso (fly). Na verdade, eles devem ficar sempre no chão, assim o efeito de acoplamento contribui para o reforço das frequencias mais baixas.

    abraços,
    Edu Silva



    De: "Andre Lower" <alower§terra.com.br>
    21/12/03 21:04
    Assunto: [Audio List] loop de efeitos

    Gostaria de perguntar a quem entende o porque de todos os loops de efeito (na minha mesa Behringer, por exemplo, mas também nas outras que conheço) terem RETURN em estéreo porém SEND em Mono. Não faz sentido para mim.

    Porque alguém preferiria mandar o mix em Mono se ele originalmente já está em estéreo (meus teclados, por exemplo)? Até onde eu entendo, um par estéreo de verdade apresenta sons completamente diferentes em cada um dos dois canais Mono que o compõe. Estou enganado? Uma luz, por favor...

    Grato,
    André Lower


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    23/12/03 11:45

    Andre Lower escreveu:
    >
    > ... o porque de todos os loops de efeito (na minha mesa Behringer, por
    > exemplo, mas também nas outras que conheço) terem RETURN em estéreo porém
    > SEND em Mono.

    Entre outras coisas, porque são poucos os processadores (módulos) de efeitos verdadeiramente estéreo. A maioria é mono, mesmo tendo duas entradas e duas saidas, pois um módulo estéreo mesmo é aquele que permite que você use dois efeitos totalmente diferentes ao mesmo tempo, um em cada canal.

    A maioria dos módulos de efeitos soma os canais de entrada e envia para uma CPU (unidade central de processamento) que cuida de gerar o efeito desejado e dividí-lo em dois sinais ligeiramente diferentes, cada um deles mixado com um canal do sinal original (sem efeito). Confira no manual de seu módulo de efeitos.


    > Até onde eu entendo, um par estéreo de verdade apresenta sons
    > completamente diferentes em cada um dos dois canais Mono que o
    > compõe. Estou enganado?

    Está.

    As diferenças são pequenas, na vida real (ainda bem), mesmo assim, isso basta para a criação da imagem estereofônica. Se duvida, simplesmente pegue um CD qualquer e ouça alternadamente cada canal, verá que não são muito diferentes.

    Só em música experimental ou semelhante, é onde temos canais com informação tão dispare - ou naquelas gravações de pop/rock antigas onde metade da banda saia num canal, e metade no outro... :-)


    Note uma coisa: "som estéreo" nada tem a ver com qualidade. É perfeitamente possivel termos uma reprodução monofônica de excelente qualidade, e uma estereofônica ruim.

    O termo "stereo" vem do grego e significa "sólido", no sentido de "real", "verdadeiro". A idéia é distribuir os instrumentos entre as duas caixas, ocupando cada um um determinado ponto no espaço, de forma a reproduzir a mesma disposição que eles ocupariam numa execução real.

    Ou seja, é uma forma de se criar uma ilusão, de fazermos pensar que a banda (ou orquestra, etc) está alí em nossa sala. Pelo menos a intenção era essa, quando o sistema estereofômico foi proposto, mas até hoje poucos levam isso a sério.

    Para que possamos desfrutar corretamente do efeito estéreo, precisamos nos situar numa posição estratégica em relação às caixas: num vértice de um triângulo de lados iguais, onde os outros dois vértices são as caixas.

    Na figura ao lado, a disposição caixas/ouvinte em relação à sala, para uma boa recriação da imagem estereofônica.

    Pena que isso só aconteça em estúdios, boas salas de audição séria, etc.

    Na imensa maioria dos casos, o ouvinte instala seu som numa estante ou mesinha num canto da sala, com as caixas bem juntas, e vai ouvir num sofá ao lado (quando muito).

    Como fica a imagem estéreo aí? Não fica. Se voce mudar a chave "stereo/mono" do aparelho para "mono", ninguém vai notar a diferença na imagem, nessas condições. O que muda um pouco é o equilíbrio entre niveis dos instrumentos (mixagem), que foi feita para estéreo, e agora está sendo ouvida em mono. E só.

    Agora, experimente tentar vender a qualquer um, um sistema de som que não seja estéreo. Não vai conseguir, mesmo que o sujeito só tenha um ouvido... :-)

    O grande público (e infelizmente, muitos técnicos e vendedores) pensa que "som estéreo" quer dizer "som de qualidade", e "som mono" é o mesmo que "som ruim". A origem desse pensamento vem ainda dos anos 50, quando massiva campanha de marketing foi feita com a finalidade de se vender o novo sistema estéreo. Era preciso convencer o público leigo de que era um avanço na qualidade (o que de fato é), mas a mensagem não foi corretamente digerida.


    Sobre o uso do estéreo em shows: já sabemos que a intenção da reprodução estereofônica é criar a ilusão de que os músicos estão em nossa sala. Ora, num show ao vivo, os músicos estão lá de verdade, então para que criar uma ilusão? Estamos vendo eles alí mesmo, nenhum artificio é necessário.

    No palco, apenas na monitoração em fones o estéreo é bem vindo, pois evita que o som dos diversos instrumentos de "amontoe" dentro de nossa cabeça (é essa a sensação que dá ao ouvirmos uma mixagem complexa em fones mono). Mas é preciso que o técnico de monitor seja consciente e endereçe os canais de acordo coma sua posição real no palco. O problema é que a imagem formada gira junto com a cabeça dos músicos, e nem todos se acostumam fácil a isso.

    Nas caixas de retorno não dá certo, é uma completa inutilidade, e mais trabalho pro técnico. Apenas no side-fill (um pequeno PA no palco, com as caixas voltadas para trás) pode ser feito algo parecido (mas com função totalmente diferente), onde os instrumentos da metade esquerda do palco são endereçados às caixas do lado direito, e vice-versa. Já comentamos aqui antes, veja a FAQ/PA.

    Em ensaios, pior ainda. Ninguém vai saber se a reprodução é estéreo ou não, porque ele simplesmente não existe. Os instrumentos estão ocupando sua devida posição no espaço, o som de seus amplificadores (ou o seu próprio, no caso da bateria, percurssão e sopros) é emitido cada um de um ponto diferente e se espalham pelo ambiente. Se o tecladista fizer questão, sempre pode usar fones e ouvir seus teclados em estéreo, funciona bem.

    Edu Silva
    ES2 Audio
    Salvador-BA


    De: "Andre Lower" <alower§terra.com.br>
    20/12/03 16:42
    Assunto: [Audio List] submix para monitoramento ao vivo

    Estou enfrentando problemas para conseguir um retorno decente. Uso 2 teclados ao vivo (ambos em estéreo, total 4 cabos mono) e microfone (lead vocal) e ligo tudo numa mesa Behringer MX-602 que fica no stand.

    Minha intenção era conseguir mandar no Main Out da minha mesa o som dos 2 teclados mais voz, e tirar um submix das mesmas coisas (só que com volumes diferentes dos do Main Out que vai para o PA) para mandar nos fones que uso ao vivo para retorno. Mas até agora não deu certo, acho que com esta mesa não será possível...

    André Lower


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    21/12/03 16:41

    (...) Voce faz questão de ter os teclados em estéreo?


    De: "Andre Lower" <alower§terra.com.br>
    21/12/03 21:01

    Questão absoluta. Estamos falando de um Roland XP30 e um Nord Lead Modular, ambos com timbres estéreo magníficos. Usa-los em Mono seria como andar de Ferrari com os pneus murchos...


    De: Henrique Cesar Ulbrich <henrique.ulbrich§terra.com.br>
    22/12/03 00:49

    Meus dois centavos.

    - Se vc manda em estéreo pra mesa do PA, o técnico do PA vai mixar tudo em mono mesmo, pq é mais fácil e dá menos trabalho.

    - Se o técnico do PA mixa em estéreo, grande parte do público não vai sentir a diferença pq está próximo de mais de uma das colunas (e portanto longe da outra).

    - Mesmo que todo o público escute o estéreo, ninguém tá ligando pra isso.

    Então, pra quê se importar? Manda mono mesmo e pronto.

    --
    Henrique Cesar Ulbrich


    De: "CIDADE 300" <estudio§cidade300.com.br>
    22/12/03 09:47

    Que se pode dizer disso? A platéia toda seria ignorante para a estereofonia? Ou mesmo que não pudesse explicá-la não sentiria a diferença? Que absurdo, "colega"...

    Acho que está na hora desses PAzeiros de 1/2 botija aprenderem a preservar a estereofonia, a todo o custo. Fui a um show em praça pública e pedi ao técnico um entrada estéreo para conectar meu DAT.

    Ele disse: "Entrada estéreo, você nem sabe o que é isso... Oras."   Aí ele conectou uma entrada da sua poderosa mesa (uma MIDAS, será que estava faltando canal?) EM UMA DAS SAÍDAS do DAT... E pronto!

    Será que se eu insistisse muito ele não acabaria por ligar a outra destinada para retorno, como já vi com alguns teclados por aí... (uma das saídas via DI para o PA e outra para o "cubo")

    Como diriam por aí: - O que é isso, companheiro???


    De: Henrique Cesar Ulbrich <henrique.ulbrich§terra.com.br>
    22/12/03 17:29

    em Seg 22 Dez 2003 09:47, CIDADE 300 disse:
    >
    > Que se pode dizer disso? A platéia toda seria ignorante para a
    > estereofonia? Ou mesmo
    > que não pudesse explicá-la não sentiria a diferença?

    Em uma palavra: não.

    Um grande ambiente (um show, por exemplo) não possui as mesmas características de um equipamento (e uma sala) doméstico. Em casa é fácil distinguir a estereofonia. Ao vivo não.

    Veja que mesmo o Pink Floyd (que usa quadrafonia, modernamente dolby 5.1) usa as "estereoscopias" apenas para efeitos nada sutis.

    Volto a repetir: um ouvinte que esteja em frente à coluna esquerda do PA NÃO VAI DE FORMA ALGUMA OUVIR A COLUNA DIREITA. Ou seja, para a maior parte do público, a estereofonia não é ouvida. Apenas um "cone de pessoas" de abertura muito estreita entre as duas colunas irá ouvir a mixagem em estéreo - mas não vai gostar, pois a reverberação do ambiente, espumarada dos aplausos e o próprio ruído da platéria (conversas, assovios, fogos) vai acabar por tornar a experiência de ouvir o show em estéreo um completo tormento.

    Isso para grandes ambientes, claro (praia, estádios, shows no estacionamento do anhembi, na pedreira paulo leminski, etc). Para ambientes menores (pequenos teatros, bares et al) mixagem em estéreo já é viável.

    --
    Henrique Cesar Ulbrich


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    22/12/03 18:02
    Assunto: [Audio List] PA mono (era: submix para monitoramento ao vivo)

    CIDADE 300 escreveu:
    >
    > Que se pode dizer disso? A platéia toda seria ignorante para a
    > estereofonia? Ou mesmo que não pudesse explicá-la não sentiria a
    > diferença? Que absurdo, "colega"...

    Mas é isso mesmo, "colega". :-)

    Estereofonia tem seu lugar em casa, no carro, no cinema, por ai. Mas num show, tem pouca utilidade além de efeitos especiais à la Pink Floyd. A vida do PAzeiro é diferente do estúdio. As distâncias envolvidas (entre fonte sonora e ouvinte) são muito maiores, e a coisa toda muda.

    Para ser franco, a platéia percebe o "defeito estéreo" sim, mas de outra forma: quem está perto das caixas do lado esquerdo não ouve bem os instrumentos que estão deslocados para a coluna direita do PA, e vice-versa. 

    É muito chato para quem está lá ouvindo: a imagem estereofônica só é percebida corretamente por quem está na região central da platéia, ou seja, o técnico do PA e o povo ao redor da mesa.  Aqueles muito próximos ao palco (a turma do gargarejo) e os que estão bem ao fundo não são beneficiados, e os que estão na esquerda e direita (a maioria) recebem uma mixagem desequilibrada.

    Pena que alguns técnicos menos experientes não dão a mínima pra isso, e insistem em usar e abusar do PAN: mandam a caixa da bateria pro canal R, o surdo pro L, violão prum lado e guitarra pro outro, etc...


    Não se trata de opinião pessoal minha, muito menos de "achismo". É um fato bem conhecido no mundo do PA (bem diferente da vida no estúdio).

    Um bom exemplo de PA mono de grande qualidade. U2:



    Uma alternativa seria uma mixagem estéreo parcial, onde a maioria dos instrumentos vai em mono, mas certos elementos são estereofônicos: over da bateria, reverbs, efeitos especiais, etc. Outra alternativa seria a imagem estéreo obtida por atrasos, aproveitando o efeito de precedência, como já discutido aqui na lista antes.

    Edu Silva
    ES2 Audio
    Salvador-BA


    De: "castor" <castor_transa§uol.com.br>
    23/12/03 00:41

    Como geralmente os instrumentos também emitem audio no palco, ele vai ser escutado de diversas fontes e portanto não existe o mono... tudo é pseudo-stereo.

    TODO O TÉCNICO QUE FAZ SOM SÓ PRÁ ELE, QUE ESTÁ EM LUGAR PRIVILEGIADO NO CENTRO D0 ESTÉREO, MIXA ENDEREÇANDO (alguns) INSTRUMENTOS PARA UM LADO E (alguns) INSTRUMENTOS PARA O OUTRO


    De: Henrique Cesar Ulbrich <henrique.ulbrich§terra.com.br>
    23/12/03 09:30

    em Ter 23 Dez 2003 00:41, castor disse:
    >
    > Como geralmente os instrumentos também emitem audio no palco, ele
    > vai ser escutado de diversas fontes e portanto não existe o
    > mono....tudo é pseudo-stereo.

    Isso pra quem está próximo do palco (a turma do gargarejo). Mas a 20m do palco só se ouve o PA mesmo. Ou seja, mono puro.

    --
    Henrique Cesar Ulbrich


    De: "Leonardo Oliveira" <leo_oliveira§yahoo.com>
    23/12/03 11:36

    Não sou um dos mais experientes aqui, mas pelo que sei, o certo é que o som dos cubos e monitores não fazem som para frente. Então esse pseudo-stereo não deveria acontecer!


    De: "Fernando Lopes" <fernandoxlopes§uol.com.br>
    23/12/03 13:46

    Em pequenos palcos/espaços, o som do palco influencia e muito o que a platéia ouve.  Boa parte da platéia que está próxima da boca de cena, vai ouvir o som dos amplificadores de palco (as vezes até mais intensamente que o som do sistema PA).

    Confirmo a opinião do Edu Silva e outros: O conceito de estereofonia em PA é muito difícil de ser utilizado e temos sérias restrições em relação a platéia.

    abraço



    De: "Ricardo Gama" <escova_2003§yahoo.com.br>
    29/12/03 09:50
    Assunto: [Audio List] Mixagem,Gravação e video

    (...) Apesar de em muitas aplicações o sinal mono ou "estéreo compatível" ainda ser o mais indicado, loops de bateria, teclados que cheguem em estéreo deveriam ser somados na console e daí serem mandados para onde seja necessário. Em uma mensagem anterior alguém relatou o fato de um "tec. " ter pego uma das saidas e mandado para o retorno e outra para o pa. (...)

    Abs.
    Ricardo Gama


    De: "studioag1" <studioag1§uol.com.br>
    27/12/03 01:01

    ola turma da lista,

    Voces ja viram o show "the song remains the same" do led?    voces observaram a performance do jimmy page em "dazed and confused", quando ele faz o solo de theremim e da guitarra com o arco de violino? ele faz uma percussao e aponta o arco para a esquerda, soa a guita no L e depois aponta para a direita e soa no R, artistico mas totalmente invertido em relacao a audiencia.

    Se nao tivesse 2 canais como seria o efeito? mesmo com os 2 canais ainda soa falso, pois a perspectiva do palco e inversa a da audiencia. mas nao imagino a voz do robert plant sem os efeitos em estereo em alguns dos seus albuns.

    vida longa ao estereo e agora ao 7.1.
    vida longa ao subgraves e ao experimentalismo.

    Quando mixo em meu estudio, sempre penso em reproduzir uma banda ao vivo em estereo, com a panoramica e imagem em perspectiva.   Em todos os cursos de estudio e workshops que participei esta imagem estereo e amplamente explorada e faz a diferenca, mesmo que seja ouvida em um 3 em 1 aiwa...

    um abraco a todos e feliz ano novo , com muita paz e saude.

    alfredo ganime
    studioag1§uol.com.br


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    30/12/03 22:27

    studioag1 escreveu:
    >
    > quando ele faz o solo de theremim e da guitarra com o arco de violino.
    > ele faz uma percussao e aponta o arco para a esquerda, soa a guita no
    > L e depois aponta para a direita e soa no R...

    Só tem um detalhe: isso não é estéreo, pelo menos no real sentido do termo. É um efeito especial. Já expliquei aqui em linhas gerais o que é estereofonia, releia minha mensagem anterior de mesmo título.

    > vida longa ao estereo e agora ao 7.1.
    > vida longa ao subgraves e ao experimentalismo .

    Adoro esses efeitos, pena que são poucos os que ligam para isso, e menos ainda os que podem desfrutar deles. Meus três maiores "ídolos" na música usam e abusam dessas loucuras:

    - o Pink Floyd (dispensa apresentações, seu experimentalismo já vêm desde os anos 60);

    - os alemães do Kraftwerk (que quando estiveram aqui no Brasil num dos últimos Free Jazz, usaram dois PA's, numa configuração em surround);

    - e o sintesista japonês Isao Tomita (este então, chegou a gravar nos anos 70 um LP chamado "The Bermuda Triangle" onde o audio deveria ser reproduzido em 5 canais: além dos 4 normais em disposição quadrifônica, havia mais um no alto e centro da sala, para simular a presença de um disco voador... :-)

    > quando mixo em meu estudio , sempre penso em reproduzir uma banda ao
    > vivo em estereo , com a panoramica e imagem em perspectiva .

    Ué, cadê o experimentalismo? :-)

    Bom, mas na maioria das vezes é isso que deve ser feito, claro: um típico apreciador de bossa-nova (por exemplo) não está muito disposto a ouvir um violão flutuando sobre sua cabeça ou a bateria com uma peça em cada canto da sala.   Mas até que seria legal...

    Mais dicas sobre a disposição dos instrumentos numa mixagem em estéreo:

    http://audiolist.cjb.net/faq/faq_studio_mix.htm

    Sobre a mixagem em surround, por si só já daria muito pano pra manga. Mas tenho observado que, fora as loucuras como as dos nomes acima, os melhores resultados aparecem nas mixagens mais "bem comportadas": solista(s) no canal central, demais instrumentos distribuidos entre L e R (como no estéreo tradicional), e nos traseiros apenas a ambiência local (reverb da sala, som do público em sows ao vivo, etc).

    É assim que ouvimos um espetáculo musical na vida real.

    O exagero foi um dos motivos do fracasso comercial da quadrifonia: as gravadoras na época insistiam em querer colocar o ouvinte no meio do palco (ou da orquestra), com os instrumentos distribuidos mais ou menos por igual nas quatro caixas. Muito bom para demonstração nas lojas, mas irreal e até meio incômodo em casa.   Parece que agora aprenderam a lição...

    Mais sobre quadrifonia:

    http://audiolist.cjb.net/faq/faq_hifi_2.htm

    E aí vai um link para uma interessante entrevista (de 1975) com o Alan Parsons, sobre suas peripécias na gravação do album "The Dark Side of The Moon" do Pink Floyd:

    http://www.stereosociety.com/body_foursides.html

    Foram feitas duas versões do LP, uma estéreo comum (disponivel atualmente em CD) e outra quadrifônica, pelo processo SQ. Eu tenho essa versão em 4 canais do LP, que foi recentemente relançada de SACD surround. É uma verdadeira aula de composição / produção / gravação / mixagem.

    Ricardo Gama escreveu:
    >
    > Apesar de em muitas aplicações o sinal mono ou "estéreo compatível"
    > ainda ser o mais indicado, loops de bateria, teclados que cheguem em
    > estéreo deveriam ser somados na console e daí serem mandados para onde
    > seja necessário. Em uma mensagem anterior alguém relatou o fato de um
    > "tec. " ter pego uma das saidas e mandado para o retorno e outra para
    > o pa.

    Isso acontece, e é mais frequente de que seria desejável.   Num evento de pequeno porte, o problema é mínimo, já que o público ouve uma mistura do som do PA com o que vem do palco. Mas em shows maiores, nem pensar.

    Uma solução para quem tem poucos canais ou quer manter o sistema o mais simples e enxuto possivel, é fazer um adaptador-somador (no exemplo, para ligar um teclado): um pequeno cabo em "X", com dois P10 num lado (ligados nas saídas L e R do teclado) e dois XLR macho no outro (para as mesas):

    Dentro de cada plug, um resistor de 1k em série com o terminal vivo. Depois são interligados, para somar os canais num só.

    Os resistores servem para evitar que um canal "carregue" o outro, podendo causar  instabilidade em aparelhos mal projetados.

    Os terras dos P10 também devem ser unidos entre sí.
    Dois XLR macho para as mesas de PA e retorno. O audio é o mesmo em ambos (mono).




    Os terminais 3 e 1 (terra) de cada um são interligados dentro dos plugs.

    Vejam que com isso, adeus ao estéreo, mas pelo menos evitamos ter metade do teclado no palco e a outra metade na PA...

    Edu Silva
    ES2 Audio
    Salvador-BA

    De: Sólon do Valle <solon§musitec.com.br>
    31/12/03 00:25
    Assunto: [Audio List] Som estéreo e correlação

    Um complemento às excelentes explicações de Mestre Edu:

    Uma medida interessante de estéreo é a Correlação. Em palavras simples, seria "o quanto dois sinais se parecem". Complicando um pouco mais, seria o cosseno do ângulo entre dois sinais de mesma frequência:

    A 0° a correlação é 1 ou 100% (mono).
    Entre 0° e 90° a correlação é entre 0 e 1 (estéreo compatível).
    A 90° a correlação é 0 (sinais incorrelatos, 2 monos).
    Entre 90° e 180° a correlação é entre 0 e -1 (estéreo incompatível).
    A 180° a correlação é -1 (fora de fase).
    Entre 180° e 360° (= 0°) as relações acima se refletem.

    Há medidores hardware e software para correlação, chamados "correlators". Há alguns plug-ins que medem a correlação e mostram, através de um gráfico L x R o aspecto vetorial do áudio estéreo: uma linha vertical para cima é mono, um desenho muito largo indica baixa correlação. Esta medida é útil para se checar
    a compatibilidade de uma mixagem estéreo, e também para avaliar se há perigo de cancelamentos entre canais de microfone durante uma gravação ou mixagem de show.

    Em geral, a correlação considerada "ideal" para um estéreo compatível é de 0,6 a 0,8 - ou seja, bastante próxima de mono.

    Sólon



    De: oseias <oseiasrs§yahoo.com.br>
    26/03/03 21:17
    Assunto: [Audio List] pa mono ou estereo

    Ola, tenho uma duvida: costumo sonorizar para um grupo de musica gaucha com um PA de 3 vias e utilizo 3 amplificadores de potencia, sendo que uso apenas um canal master da mesa que sai e entra em um lado do crossover, e depois as 3 vias saem do crossover e vao para os amplificadores.

    Os cabos que foram confeccionados para os amplificadores sao o seguinte: Em cada via que sai do crossover foi feito um cabo em Y, sendo assim a via do grave por exemplo se divide em dois, um vai para o L e o outro para o R do amplificador. As outras duas vias tambem ocorre a mesma coisa.

    Eu pergunto o seguinte: eu poderia usar o PA em estereo usando os dois canais do crossover e separando cada via em seu devido lugar? É vantagem fazer isso ou continuo assim mesmo, ou quem sabe, eu estou ligando errado alguma coisa?

    Oseias.


    De: "lfcysne <lcysne§hotmail.com>"
    27/03/03 19:28

    Prezado Oseias,

    Os melhores resultados são obtidos com PAs mono, nos quais o canal C (central) substitui L e R. Isso minimiza as interferências acústicas de fase entre os dois canais são reduzidas, ou virtualmente as elimina.

    Contudo, o canal C deve oferecer boa cobertura para toda a área atendida.

    Vários fatores acabam determinando o que é possível e o que é melhor. Um deles diz respeito ao tamanho e geometria do local. Outro, a possibilidade física/conveniência de instalar devidamente o canal C. Um aspecto interessante é que, mesmo quando o resultado do canal C sozinho é melhor do que o obtido com os canais L e R, há clientes que simplesmente não aceitam apenas um canal.

    Sugestão: experimente as alternativas e conclua por si.

    Luiz Fernando Cysne.


    De: "castor" <castor_transa§uol.com.br>
    27/03/03 20:46

    Gostaria de lembrar que apesar de ser a melhor forma de distribuição, a mixagem mono é a mais difícil de ser realizada, e acreditem, a mixagem em 5.1 é a mais fácil, porque os timbres podem ser divididos entre os canais.


    De: Fabrizio Pinna <fabrizio_pinna§yahoo.com>
    28/03/03 11:54

    Oi Castor

    Fiquei curioso em saber como você resolve o problema das pessoas estarem mais próximas de uma das torres de som do que da outra ? Pode ocorrer que parte do público não ouça o que está saindo do PA do outro lado do salão.


    De: "joaopaulojp2002 <joaopaulojp2002§yahoo.com.br>"
    28/03/03 11:09

    Eu particularmente gosto de usar stereo que, como o Castor disse, facilita na hora da mixagem pois quando tem vários instrumentos trabalhando na mesma faixa de frequência tem-se a opção de separa-los nos canais L e R, por ex. quando têm duas ou três guitarras eu gosto de separa-las no PA de acordo como os guitarristas estão posicionados no palco, se tem um no canto esquerdo eu coloco a guitarra dele na coluna esquerda e mais baixinho na direita e assim também faço com alumas peças da bateria.

    Mas nem sempre é possivel e vantajoso utilizar esta técnica pois se tiver uma distância muito grande entre uma coluna e outra o som só fica bom para quem está no meio e quem está próximo a uma coluna não escuta os instrumentos da outra coluna.

    Então tem muita, muita gente que prefere usar PA mono. Não sei se esta é a forma mais correta (PA stéreo), mas eu já me acostumei assim e talvez seja apenas costume mesmo. Mas se vc optar por PA stéreo, aconselho usar pelo menos a via de grave/sub em mono pois irá facilitar um montão a sua vida.

    um abraço,
    João Paulo


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    31/03/03 20:52

    oseias <oseiasrs§y...> escreveu:
    >
    > ou quem sabe, eu estou ligando errado alguma coisa?

    Use os dois masters, e ligue cada um num canal do crossover, depois do equalizador. Voce algumas vezes sentirá necessidade de ajustes ligeiramente diferentes para cada lado (no nivel de cada via e na equalização, não nas freqs de corte), devido a pequenas diferenças entre eles.

    > eu poderia usar o PA em estereo usando os dois canais do crossover
    > e separando cada via em seu devido lugar?

    Há uma frequente confusão entre "PA stereo" e "PA com duas colunas (conjunto de caixas)", ou "PA mono" e "PA com canal central".

    Voce pode ter um PA mono mas usando os 2 canais da mesa (e um conjunto de caixas de cada lado do palco), desde que eles contenham o mesmo sinal. Em outras palavras, com todos os PAN no centro. Voce terá a mesma informação (instrumentos, vozes, efeitos) em ambos os canais.

    Com isso voce não terá o problema relatado pelo João Paulo (imagem estéreo desequilibrada para o publico que não está no centro da platéia), porém as vantagens expostas pelo Cysne (relativas a pouca ou nenhuma interferência de fase) não serão alcançadas. Essas, voce só consegue com um canal central suspenso sobre o palco, o que nem sempre é possivel.

    Quando ha oportunidade, uma técnica que costuma dar melhores resultados (depende sempre da ocasião) é o canal central C (suspenso) reproduzindo a maioria dos instrumentos, e nos canais laterais L e R, fontes realmente estereo: over (bateria e percussão), efeitos (reverb, chorus, etc), grandes corais, certos teclados, guitarra com dois microfones (um para cada falante), etc.

    "joaopaulojp2002 " escreveu:
    >
    > Eu particularmente gosto de usar stereo que, como o Castor disse,
    > facilita na hora da mixagem pois quando tem vários instrumentos
    > trabalhando na mesma faixa de frequência tem-se a opção de separa-los
    > nos canais L e R

    Funciona bem em gravações, mas em PA voce não pode exagerar na separação.

    > Mas nem sempre é possivel e vantajoso utilizar esta técnica pois se
    > tiver uma distância muito grande entre uma coluna e outra o som só
    > fica bom para quem está no meio e quem está próximo a uma coluna não
    > escuta os instrumentos da outra coluna.

    Uma boa dica para simular uma distribuição entre L e R sem alterar niveis relativos e que funciona bem, mesmo para aqueles que estão mais proximos de uma das colunas do PA: pegue um violão (por exemplo), jogue seu sinal no canal L, e o mesmo sinal com um pequeno atraso (uns 10 ou 20mS) no canal R, com o mesmo nivel. Devido ao efeito Haas, o violão parecerá vir do canal L (som direto, sem atraso), em praticamente qualquer ponto da platéia, sem desquilibrio na mixagem.

    Podemos implementar essa tecnica de diversas formas, por exemplo, endereçando o instrumento que queremos deslocar a um subgrupo estereo e inserindo um delay em apenas um dos canais deste.

    Também podemos usar o insert ou direct out do canal do instrumento para extrair o sinal que vai ao delay. O sinal com atraso (100% wet, sem misturar com o original) vai no canal seguinte. O primeiro (sinal direto) terá o PAN todo para um lado (correspondendo à posição fisica do músico no palco), o outro (sinal atrasado) no lado oposto.

    Cuidado apenas ao extrair o sinal mono para TV: pegue um canal apenas, não a soma deles, ou terá efeitos de phasing.

    Em mesas digitais, tudo é mais facil, pois cada canal já tem seu proprio delay.

    > Mas se vc optar por PA stéreo, aconselho usar pelo menos a via de
    > grave/sub em mono pois irá facilitar um montão a sua vida.

    E um ponto fundamental para um bom PA, mesmo assim muita gente insiste em graves "stereo", separando as respectivas caixas em dois grupos, e perdendo alguns dB por causa disso, sem nenhuma contrapartida - não se ouve efeito estéreo nas baixas frequencias.

    castor escreveu:
    >
    > Gostaria de lembrar que apesar de ser a melhor forma de distribuição,
    > a mixagem mono é a mais difícil de ser realizada, e acreditem, a
    > mixagem em 5.1 é a mais fácil, porque os timbres podem ser divididos
    > entre os canais.

    Voce separa os instrumentos nos diversos canais? Só funciona bem para quem esta no centro da plateia, o pessoal que fica proximo aos canais suplementares ouve uma mixagem desequilibrada. Melhor usar os canais traseiros para efeitos, apenas.

    Se voce está falando em gravações, menos mau, mais ainda assim pode ficar estranho. Lembra dos tempos da quadrifonia, em que tentava-se colocar o ouvinte no meio da orquestra? Bonito efeito, mas irreal, e foi um dos (muitos) motivos para o fracasso do sistema.

    Edu Silva
    ES2 Audio


    De: André <andreluisandrade§ig.com.br>
    02/04/03 11:10

    Em relação ao uso do PA estereo ou mono, concordo com o Castor quanto a facilidade na mixagem, e também sei se os PAs ficam muito distantes um do outro a mixagem estereo pode ser apreciada apenas pelo Técnico e o público localizado mais ao centro.

    Acho que a cada show é necessário observar o espaço e a necessidade da mixagem estereo ou não, talvez abrir um pouco o pan. Mas acredito que na maioria dos médios e grandes shows não é necessário trabalhar em estereo.

    No últimos dois anos tenho feito 90% dos shows em teatros, após alinhar o PA coloco o CD, onde a mixagem está estereo com alguns instrumentos totalmente abertos, procuro o nível de sala que pretendo trabalhar e ando pela sala toda vendo (quer dizer ouvindo) se é possível trabalhar totalmente em estereo ou parcialmente.

    Depois durante a passagem em algumas músicas ando pela sala novamente par ouvir o resultado com a soma do som do palco.

    E na maoria da vezes consigo trabalhar em estereo, as vezes mais aberto outras menos.

    Um abraço
    André L. de Andrade


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    03/04/03 10:04

    André escreveu:
    >
    > No últimos dois anos tenho feito 90% dos shows em teatros...

    > E na maoria da vezes consigo trabalhar em estereo, as vezes mais
    > aberto outras menos.

    Em locais fechados e estreitos, onde o comprimento é maior que a largura (como os teatros e igrejas), a mixagem em estéreo torna-se mais viável. Tambem porque boa parte do som que se ouve, em especial nos fundos da sala, é refletido (e não o direto das caixas). O desequilibrio entre esquerdo e direito é menos notado, mas isso não ajuda nada na formação da imagem.

    Edu silva
    ES2 Audio


    De: André <andreluisandrade§ig.com.br>
    03/04/03 15:54
    Assunto: [Audio List] Efeito Haas

    Em relação ao efeito Haas no próximo show onde houver equipamento que permita, vou experimentar com certeza.

    A primeira vez que tomei conhecimento deste efeito foi no carnaval do ano passado no sambódromo do Rio de Janeiro, onde o houve muito debate em relação ao tempo de delay das torres exatamente por causa
    deste efeito. Fato que em outros carnavais não foram discutidos ou não tinha grande importância

    Gostaria no entanto de saber como ele age eletronicamente e acústicamente para esse resultado.

    André Luís de Andrade


    De: "WKL" <wkl§srnet.com.br>
    05/04/03 09:10

    Não é tão complexo, de uma espiada em

    http://www.tonmeister.ca/main/textbook/psychoacoustics/06.html

    Carlos Capitão


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    06/04/03 12:19

    Oi gente

    André escreveu:
    >
    > A primeira vez que tomei conhecimento deste efeito foi no carnaval do
    > ano passado no sambódromo do Rio de Janeiro, onde o houve muito
    > debate em relação ao tempo de delay das torres...

    Não é bem esse o caso a que me referí. Os fundamentos do efeito em sí (não aplicados ao caso específico que citei) foram exaustivamente discutidos aqui na lista há poucos meses, e está na FAQ, seção "PA/ teoria e prática":

    http://audiolist.cjb.net/faq/faq_pa_teoria.htm

    Leiam sobre sistemas de delay, em especial as mensagens do Cysne e Mario Jorge. Creio que é o unico lugar na internet que podemos encontrar algo detalhado assim sobre o tema, em português.

    Adriano escreveu:
    >
    > acredito que seja mais comum em estúdios de gravação.
    > dependendo do Local o tempo máximo gira em torno de 10ms. é isso?

    Eu estava falando da simulação da distribuição das fontes entre 2 canais do PA (formação do imagem estéreo) usando diferenças no tempo.

    Imagine que temos um sistema de som com duas caixas separadas, reproduzindo o mesmo sinal com a mesma intensidade (logo, um programa monofônico). Se estivermos à mesma distância de ambas as caixas, teremos a impressão de que a fonte sonora está a meio caminho entre elas. Até aqui, nenhuma novidade.

    Mas, se atrasarmos o sinal que vai a uma das caixas em alguns milissegundos, teremos a impressão de que o som está sendo emitido apenas pela outra caixa.

    É o chamado "efeito de precedência", um caso especial do efeito Hass: o sinal que chega primeiro aos nossos ouvidos (original) é notado como se fosse o único. O sinal atrasado é descartado pelo nosso cérebro, como se não existisse (a menos que seja muito mais intenso que o original, pelo menos 10dB).

    A partir de uns 5ms de diferença entre os dois sinais, começamos a notar o efeito de precedência, mas com uns 30 ou 40ms os percebemos como dois sons distintos, ou "eco". Não podemos passar disso.

    Minha sugestão é de se tirar partido desse efeito na simulação do campo estéreo num PA: Se endereçarmos o sinal direto de um instumento ao lado esquerdo, e o mesmo sinal (com igual intensidade) ao lado direito com um pequeno atraso, teremos a nítida impressão de que o violão está apenas no lado esquerdo (o sem atraso).

                                                 /|
                   +----------------[ AMP ]----[] | PA esquerdo
                   |                             \|
    INSTRUMENTO ---|
                   |                             /|
                   +---[ DELAY ]----[ AMP ]----[] | PA direito
                                                 \|
        
    Obs: o delay precisa estar regulado para dar apenas o atraso, sem feedback (repetição) nem misturar com o sinal original (100% wet). Mais detalhes na minha mensagem anterior nesse mesmo tópico.

    Façam a experiência, e notem que a partir de certo tempo de atraso (uns 5 ou 6ms), o instrumento parecerá estar apenas num lado, muito embora ambas as colunas estejam emitindo seu som na mesma intensidade.

    Assim, a imagem estéreo pode ser criada e mantida, mesmo para quem se localiza fora do eixo central (até certo ponto), sem desequlíbrios.

    Para quem quiser saber mais, vejam um material sobre efeito Haas em espanhol (não achei nada na rede em português, além do que está na FAQ da lista...):

    http://www3.labc.usb.ve/EC4514/AUDIO/PSICOACUSTICA/Efecto_Haas.html

    Edu Silva
    ES2 Audio

    De: André <andreluisandrade§ig.com.br>
    06/04/03 21:30

    Pergunta:

    Você falou em 10ms, no link que vc deu sobre o efeito Hass fala em 5ms existe uma diferença de efeito ou duração do mesmo?

    Conversando com o Técnico Antônio sobre o efeito hass, que tinha que pegar por exemplo uma gtr dobrar o canal, passando pelo delay a 100% efeito com o tempo de 10ms e que o resultado era o efeito Hass e o que ele sabia sobre ele.

    Ele disse:

    " Não sei se o nome disto é efeito Hass, mas num disco do metálica eles usam isso em certo instrumentos, passando a idéia de movimento dele da esquerda para direita ou vice-versa."

    Então caiu a ficha, se vc tem o mesmo instrumento colocado em dois canais, sendo que um deles passando pelo delay com 10ms, colocados um para cada lado do PA, vc vai ouvir por exemplo primeiro o som original de um lado e depois do outro lado. Como o tempo de atraso é muito curto vai dar essa impressão de movimento.

    Acho que é isso.

    André L. de Andrade


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    07/04/03 12:14

    André escreveu:
    >
    > Você falou em 10ms, no link que vc deu sobre o efeito Hass
    > fala em 5ms existe uma diferença de efeito ou duração do mesmo?

    O tempo exato não importa, não é assim tão crítico. O efeito é mais intenso entre 5 e 25ms. Vá experimentando tempos entre esses dois limites e deixe onde lhe parecer melhor - depende fundamentalmente do espaço sonorizado e das distâncias envolvidas.

    E lembre que nem sempre podemos confiar no tempo indicado no display do equipamento: existe sempre uma pequena latência no processamento (1 ou 2ms, em muitos casos), de forma que devemos somar esse período ao tempo indicado no display para saber o atraso real.

    Se voce usar um processador estereo, onde voce possa programar tempos de atraso diferentes em cada canal (um SPX990, talvez), não existe essa discrepância: se voce programar delay = 0ms no canal L e 10ms no R, na verdade voce terá 2ms no L e 12ms no R (o SPX990 tem latência de 2ms), mas a diferença será os mesmos 10ms.

    Exemplo:

                 saida L  (0ms)                /|
                       +-----------[ AMP ]---[] | PA esquerdo
                       |                       \|
    INSTRUMENTO--->[SPX990]
                       |                       /|
                       +-----------[ AMP ]---[] | PA direito
                 saida R  (10ms)               \|
    
        
    (Atenção: o desenho acima é apenas para explicar como a coisa funciona, claro que ninguem vai fazer assim no show - ligar uma guitarra no SPX, e daí nos amplificadores. Tem que passar pela mesa antes, o SPX ficaria no insert de um subgrupo estéreo)

    > Então caiu a ficha, se vc tem o mesmo instrumento colocado em
    > dois canais, sendo que um deles passando pelo delay com 10ms,
    > colocados um para cada lado do PA, vc vai ouvir por exemplo
    > primeiro o som original de um lado e depois do outro lado.

    Até aí tá certo.

    > Como o tempo de atraso é muito curto vai dar essa impressão
    > de movimento.

    Não é "movimento", mas voce terá a impressão de que o instrumento está saindo apenas no lado sem atraso. O sinal que sai no outro lado do PA (atrasado) é como que "cancelado" pelo nosso cérebro (ele faz isso para que possamos localizar melhor uma fonte sonora num ambiente com muitas reflexões - o sinal direto sempre chega primeiro, e é nessa direção que instintivamente olhamos).

    Dessa forma, podemos simular a distribuição dos instrumentos entre os dois lados do PA apenas com atrasos, sem precisar "jogar" eles mais para um canal que para outro com o PAN.

    A imagem que voce percebe (na mesa) é mantida em praticamente toda a platéia, mesmo para quem está mais próximo de uma das colunas do PA.

    É essa a intenção, não se trata aqui de criar efeitos mirabolantes de instrumentos passeando de um lado para outro, nem sonorizar desfiles de escolas de samba. Para maiores detalhes, releiam as mensagens anteriores (re: pa mono ou estereo).

    Vocês podem fazer a experiência em casa mesmo, basta uma fonte de sinal (um CD serve) um delay e um sistema de som estereo. Nos fones o efeito é bem melhor percebido que em campo (PA), mas vale usar.

    Pena que precisamos de um processador para cada instrumento que desejarmos "deslocar", mas não é necessário fazer isso em toda a banda. Bastam dois instrumentos importantes, por exemplo, a guitarra-base e o teclado: desloque-os um para cada lado, de acordo com as posições deles no palco. Já ajuda bastante a "desafogar" o centro do campo estéreo, dando mais espaço à voz principal. Para quem tem mesa digital, é fichinha!

    Edu Silva
    ES2 Audio

    De: Ivo José deA. Costa <ivojose§Globo.com>
    08/04/03 14:58

    oi pessoal deixa eu entender tb

    > o sinal direto sempre chega primeiro, e é nessa
    > direção que instintivamente olhamos).

    ai é onde reside minha duvida, supondo que eu esteja na frente das caixas do canal direito de um PA gigante(entenda-se potente tb) a varios metros como na figura


    [pa R] -------- 25m (supondo) --------> [eu]



            plateia



    [pa L]


    se o delay tiver na direita (to considerando a orientação da plateia), não seria viavel dizer que por causa da diretividade e potencia o som de um instrumento que é emitido primeiro pela esquerda talvez nem chegue nos meus ouvidos, quero dizer, chegue baixo demais em relação ao sinal da direita?e se isso for verdade nesse caso, existe mais um problema que pelo fato do sinal atrasado estar na mesma intensidade (não chegar na mesma intensidade na minha posição)do sinal não atrasado, eu poderia escutar só o atraso, que como ja dito é muito pequeno, mas não daria alguma sensação de estranhesa no som escutado?

    > Dessa forma, podemos simular a distribuição dos instrumentos entre os
    > dois lados do P.A. apenas com atrasos, sem precisar "jogar" eles mais
    > para um canal que para outro.
    >
    > A imagem que voce percebe (na mesa) é mantida em toda a plateia

    então seria mais facil perguntar, onde , na plateia, não fica bom o efeito haas?e outra, para PAs pequenos, 10 a menos metros entre uma coluna e outra, no maximo 15metros, não seria melhor criar imagem stereo no pam da mesa mesmo?

    é isso ai pessoal, t mais.


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    09/04/03 16:47

    Olá Ivo e lista

    "Ivo José deA. Costa " escreveu:
    >
    > oi pessoal deixa eu entender tb
    >
    > > o sinal direto sempre chega primeiro, e é nessa
    > > direção que instintivamente olhamos).
    >
    > ai é onde reside minha duvida...

    Apenas para ficar claro: Naquele trecho que voce destacou de minha mensagem, eu falava do funcionamento de nosso cérebro numa situação cotidiana (do dia-a-dia, não relativo à mixagem do PA).

    Por exemplo, veja a figura abaixo: uma pessoa (fonte sonora) está falando. O ouvinte, a alguns metros dali, ouve sua voz direta também o reflexo desta numa parede próxima. Existe uma moita de folhagem densa entre a fonte e o ouvinte, que impede que se vejam e ainda atenua o som direto, de forma que o refletido chega ao ouvinte com intensidade igual ou ligeiramente maior (apesar da maior distância).

             parede
          ____________
               /\
              /  \  som 
             /    \ refletido
            /      \
    FONTE  /  ###   .
    
    SONORA ---###--> OUVINTE
              ###
             moita
        
    O sinal direto, mesmo atenuado, chega uns poucos milissegundos antes do refletido (que "viaja" por uma distância maior), assim nosso cérebro pode distinguir um do outro e localizar corretamente a fonte real do
    som.

    Se não tivéssemos essa capacidade, não saberíamos de onde veio o som, sem antes olhar em volta. Ela é extremamente importante na sobrevivênvia das especies, imaginem o que seria de nós se não pudéssemos localizar pela audição (ou seja, antes de ver) um predador, um carro em alta velocidade, etc...

    Existem outros mecanismos de auxilio na localização de uma fonte sonora (audição binaural), mas não precisamos discutí-los agora.

    > ... supondo que eu esteja na frente das caixas do canal direito de um
    > PA gigante(entenda-se potente tb) a varios metros como na figura
    >
    > [pa R] -------- 25m (supondo) --------> eu
    >
    >
    >
    >      plateia
    >
    >
    >
    > [pa L]
    >
    > se o delay tiver na direita(to considerando a orientação da plateia),
    > não seria viavel dizer que por causa da diretividade e potencia o som
    > de um instrumento que é emitido primeiro pela esquerda talvez nem
    > chegue nos meus ouvidos, quero dizer, chegue baixo demais em relação
    > ao sinal da direita?

    Voce está em frente às caixas da direita (som atrasado), certo?

    Você vai ouvir o sinal do canal esquerdo tambem, pois um sistema de PA não é assim tão direcional a ponto de cada metade da plateia ser atendida por apenas um conjunto de caixas.

    > ... e se isso for verdade nesse caso, existe mais um
    > problema que pelo fato do sinal atrasado estar na mesma intensidade
    > (não chegar na mesma intensidade na minha posição)do sinal não
    > atrasado, eu poderia escutar só o atraso, que como ja dito é muito
    > pequeno, mas não daria alguma sensação de estranhesa no som escutado?

    Mesmo que o sinal original esteja até uns 10dB abaixo do sinal atrasado (esse valor não é preciso, depende muito de diversos fatores), ainda será reconhecido como prevalente pelo cérebro. Ou seja, voce ouvirá o som original como sendo o único.

    E mesmo que voce ouça apenas (ou com muito maior intensidade) o sinal atrasado, a diferença entre ele e o evento (o musico tocando o instrumento) é pequena demais para ser notada como "som fora de sincronismo com a imagem", como as vezes a gente vê em filmes mal dublados.

    Releia aquela página cujo link mandei noutra mensagem e faça experiências.

    Para quem quiser garimpar alguma informação extra:

    http://www.google.com.br/search?q=%22efeito+haas%22&lr=&newwindow=1&search.x=9&search.y=9

    > então seria mais facil perguntar, onde , na plateia, não fica bom o
    > efeito haas?

    Não dá certo apenas para quem está muito próximo de uma das colunas do PA, pois além do desequilibrio entre os niveis (sinal atrasado com mais de 10dB acima do original) voce tem também uma distância bem menor aqui. Ora, se o sinal original está assim tão distante, ele leva um tempo considerável para nos alcançar, e acaba chegando jundo ou depois do sinal atrasado (nas caixas mais próximas). Ai, adeus efeito...

    Mas nessas condições, o estéreo obtido da forma tradicional (PAN) fica impossivel!! Usando a técnica do efeito Haas, não teremos mais o estéreo, mas a pelo menos a mixagem não soará desequilibrada. É sempre vantagem.

    > ... e outra , para PAs pequenos, 10 a menos metros entre uma
    > coluna e outra, no maximo 15metros, não seria melhor criar imagem
    > stereo no pam da mesa mesmo?

    O importante não é a distância em sí, mas o angulo formado pelo ouvinte e as caixas do PA. Em sistemas menores, com caixas mais proximas, a platéia está mais perto do palco, o ângulo continua aberto.

    Esse problema já foi alvo de discussões anteriores. O efeito estereo obtido da forma tradicional (usando o PAN) só é realmente util em locais fechados e estreitos (largura menor que o comprimento). Ainda aqui, existem vantagens no uso da tecnica por mim descrita (desde que as unidades de delay estejam disponiveis, claro). Até em gravações o efeito pode ser utilizado.

    Cada caso é um caso, e deve ser encontrada a solução mais adequada a ele. Experimente as duas soluçoes e adote a que melhor lhe servir. Muitas vezes, voce pode usar ambas: use o "time panning" (ou seja qual for o nome que a gente dê) em dois instrumentos importantes (ou mais, se a mesa for digital) e "paneie" da forma tradicional o over de bateria (não as peças), reverb, teclado base, etc. O resto, PAN no meio.

    O efeito funciona melhor com instrumentos com transientes mais rápidos, como violão e percussão leve. Vozes também são beneficiadas. O baixo fica melhor no meio, sem efeito. Em teclados estereo, melhor usar sem o delay, deixe-o com seu próprio efeito, com as saidas endereçadas ao L e R - mas cuidado com certos patches exagerados, tipo "stereo piano", em que as teclas graves estão no canal esquerdo e as agudas no direito!! Fica bonito no estudio, mas não no PA.

    Edu Silva
    ES2 Audio

    De: "castor" <castor_transa§uol.com.br>
    09/04/03 19:26

    Continuo achando o efeito subjetivo, pois apesar do sinal estar sendo emitido nos dois canais ( L e R ) ele dá um sentido de emissão, que nos leva por exemplo a "ver"o guitarrista do lado ësquerdo do Palco.

    é um efeito sutil, se não vira solo de guitarra do U-2 ou PINK FLOYD, onde a repetição das frases é o ponto alto.


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    10/04/03 15:48

    É subjetivo sim, afinal, a impressão é de que o som do instrumento está mais forte num lado do P.A. que no outro, quando na verdade os niveis são idênticos. Mas todo mundo percebe, não precisa ter ouvidos de ouro, é uma característica normal de nossa audição.

    Para quem está na house mix a impressão é semelhante a aquela do estéreo obtido da maneira tradicional (pelo PAN). A diferença é para a platéia, que percebe a separação da mesma forma que voce lá na mesa, mesmo em posição desfavorável (dentro dos limites a que me referí na mensagem anterior) - essa é a vantagem.

    Mais uma vez, um link para uma página versando sobre o efeito Haas, em espanhol:

    http://www3.labc.usb.ve/EC4514/AUDIO/PSICOACUSTICA/Efecto_Haas.html

    > É um efeito sutil, se não vira solo de guitarra do U-2 ou PINK FLOYD,
    > onde a repetição das frases é o ponto alto.

    Claro que não devemos aumentar demais o tempo de atraso, senão fica como voce falou, parecendo um solo do David Gilmour... :-)

    O melhor efeito é aquele que ninguém percebe - e de fato, quando bem aplicado, ninguém nota que existe um atraso, sente-se o campo estéreo de forma natural.

    Edu Silva
    ES2 Audio


    De: "byjef2003 <jeferson§wgo.com.br>" <jeferson§wgo.com.br>
    11/04/03 00:37

    Esse "Efeito Haas" e aplicado em masterizacao de cds pra dar uma maior sensacao de estereo ??? Alguem tem conhecimento disso ????


    De: "Sidsom" <sidsom§uol.com.br>
    13/04/03 12:46

    Uma vez tive a oportunidade de ter dois SPX90 para fazer esta experiência e mais um processador que usei como Reverb normal no auxiliar.

    Insertei um SPX90 no submaster 2 e outro no submaster 3. Os intrumentos que mandáva para os submasters 1-2 tinham a imagem deslocada para a direita e os intrumentos que mandáva para os submaster 3-4 tinham a imagem deslocadas para a esquerda. Não me liguei nos números no display, apenas ajustei o tempo enquanto "via" a imagem se deslocando para o lado, e apenas saindo um pouquinho do centro. Não me lembro dos valores que ficaram, já faz uns dois anos e nunca mais tive esta oportunidade de novo.

    Pena que o lugar era um pouco reverberante "além da conta", mas funcionou e o ficou bom.

    Sidnei de Oliveira


    De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
    13/04/03 15:03

    Sidsom escreveu:
    >
    > Pena que o lugar era um pouco reverberante "além da conta", mas
    > funcionou e o ficou bom.

    Num ambiente fechado e muito reverberante, o sinal refletido pode superar o direto, então o efeito estéreo (seja por meio de atraso ou diferenças na intensidade) sai prejudicado. Mas mesmo assim a experiência valeu, né?

    "byjef2003 " escreveu:
    >
    > Esse "Efeito Haas" e aplicado em masterizacao de cds pra dar uma
    > maior sensacao de estereo ???

    Não na masterização, mas sim na mixagem.  Experimente em dois violões diferentes numa gravação, ou nos backing vocals, por exemplo.

    É mais útil em PA, pois em casa não temos tanto problema quanto à nossa posição em relação às caixas, mas nada impede que se utilize vez ou outra em alguns instrumentos, como um efeito interessante.

    Edu Silva
    ES2 Audio



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