Som Ambiente |
Projeto de som em pequenos ambientes
Atenuadores (controle de volume)
Linhas de 70V
Cabeamento para as caixas (cálculo e tipos)
Projeto de som ambiente para uma escola
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De: "Flávio J. Moritz Jr. (§Dígitro)"
<flavio.moritz§digitro.com.br>
01/08/00 14:44
Assunto: [Audio List] Dimensionamento de cabos para falantes
Olá amigos,
Estou pensando no som ambiente para um novo apê e este é o momento da escolha dos cabos para os falantes de forro e pequenas caixas de parede. Acabei de ler um email do Edu Silva (Subject: [Audio List] Bitola do cabo para falantes (era:Informações)), parte integrante da FAQ, que fala sobre isto. Minha intenção aqui é determinar o quanto os audiófilos tem razão. Em tempo, nem de longe sou audiófilo. Mas que a paixão por A/V é grande, ah! isso é. Bem, falar para um audiófilo em um cabo 18 AWG para falantes/caixas de 8 ohms seria impensável. A tabela que o Edu Silva apresenta no referido email indica 18 AWG para distâncias até 15m, assim evitando perdas maiores que 0,5 dB.
Entretanto, o Edu não menciona dados como potência e sensibilidade dos falantes/caixas. OK! Não pretendo fazer nenhuma pergunta específica, pois sinto que esse tema é dos mais acalorados. Assim, levantei a bola e quero ouvir o que a turma aqui pensa a respeito.
Um grande abraço,
Flávio Moritz <- nem sempre tão polêmico.
De: "Nestor Natividade" <somperfeito§somperfeito.com>
01/08/00 18:10
Olá Flávio,
Existem dois pântanos no caminho das suas dúvidas:
O primeiro tem a haver com a própria idéia de ‘cabos’. Não sei a sua idade, mas a minha formação profissional foi toda ela calcada na acepção de que cabo é cabo, satisfeitas as condições de resistividade. ‘Acordei’ para a realidade somente em setembro de 77, quando li o artigo seminal de Jean Hiraga a cerca de ‘experiências’ vivenciadas pelos companheiros que moram na Terra do Sol Nascente que se dedicavam (naquela época, já há quase duas décadas) ao fabrico artesanal e comercial de cabos segundo o critério de uso um tanto estranho: ‘para graves’, ‘para médios’ e ‘para agudos’. O artigo, o primeiro publicado no ocidente a tocar no aspecto subjetivo da performance de um componente (não ativo e) tido e havido como indiferente, pelas suas implicações, deu o pontapé de partida a um debate que ainda não terminou.
O segundo pântano, transposto aquele do subjetivismo, tem a haver com os materiais e técnicas objetivas que determinam a necessidade deste ou daquele resultado pretendido, e o assunto materiais (metalurgia e química) para cabos ou seu design é ‘pano’ para diferentes camisas de onze varas.
Mas há mais. Embrulhando ambos critérios subjetivo e objetivo, há o fato inconteste de que o Áudio deixou de ser um hobby, se tornando mais uma, entre tantas e diferentes expressões da estética pessoal das pessoas, seja na produção, seja no consumo deste produto. Ambos, de há muito, deixaram de buscar ‘uma verdade’ na qualidade da reprodução e sim, mais e mais aquilo que agrada as pessoas, todas elas, claro, donas de opiniões diferentes porquê fundadas em fatores espaço-temporal-cultural-sócio-econômicos e mesmo experimentais, totalmente díspares.
Sobre a áudio-reprodução, as últimas três fronteiras sendo desbravadas neste mesmo instante em que nos falamos, se referem (i) ao grau de isenção de RFI no ambiente e à qualidade da rede de AC usada --esta última antes apenas considerada quanto à presença ou não de brownouts e terra real, e hoje mais quanto a indesejáveis harmônicos e à disponibilidade da capacidade instantânea de corrente; (ii) à acústica dos ambientes onde a gravação se deu e naquele onde a mesma é reproduzida; e, (iii), à psico-acústica, idem, idem.
Os pontos de vista de um audiófilo (eles ainda existem, todavia) não necessariamente concorrem com aqueles dos diferentes profissionais que tornam possível a sua própria existência, o que é um tremendo paradoxo e motivo para freqüentes bate-bocas entre as partes.
Na distribuição de áudio em um ambiente aberto ou fechado, no que se refere aos cabos, devido às peculiaridades da finalidade, valem mais os parâmetros utilizados pela telefonia (resistividade e atenuação da linha, basicamente), justamente aqueles listados pelo Edu.
Na área profissional, vale o custo final do equipamento/solução e não quaisquer outras considerações sobre, por exemplo, o uso de ródio, ouro, prata ou carbono em contatos; quem quiser algo melhor, simplesmente modifica ou auto-constrói.
Na área doméstica do áudio e vídeo de consumo, valem o tamanho físico/aparência, o custo e a confiabilidade das soluções.
No rarefeito universo do audiófilo, literalmente se dá um vale-tudo tipo briga-de-foice-no-escuro que oscila desde “o edema no ouvido interno causado pelo uso abusivo de óleo de cobra” até “a racionalidade do limite permitido pelo meu cartão de crédito”, passando pelos gurus de plantão (Guru *ucks) e eventual desapaixonado bom senso.
Sobre o cordão umbilical que une o amp ao sonofletor, em um produto comercial destinado a ser comprado em um supermercado, é totalmente provável que você encontre este cordão na forma de um fio paralelo bicolorido com bitola de 0,75 mm2/pólo. O Edu, um profissional ligado ao P.A., se preocuparia com a resistividade e com a durabilidade da capa do produto. Um audiófilo consideraria, entre mais de uma dezena de diferentes variáveis, a resistividade do cabo frente à impedância nominal do sonofletor e às componentes reativas e resistivas do xover (se sonofletor passivo); a linearidade do fator de amortecimento do(s) amplificador(es); auto-indução de sinal e captação de RFI (desenho do cabo); presença de oxigênio e contaminantes na liga metálica do condutor (ditando maior ou menor vida útil do condutor); tipo de capa do condutor (não sobre sua resistência, mas quanto à possibilidade de contaminar ou não o condutor) e, claro, o custo (importante, mas não relevante de todo).
No Japão, por uma característica muito particular da sociedade local, não são ‘eles’ (aqueles que, em tese, ganham o dinheiro) mas sim ‘elas’, as digníssimas caras-metades que (também ganhando ou não o vil metal) administram e decidem sobre a aplicação do pecúlio familiar. Em casa de audiófilo samurai, eu realmente gostaria de saber como ‘eles’ conseguem convencer suas companheiras sobre a conveniência da aplicação de míseros dois e meio milhões de yens (US$ 25 000.) na compra de um único item da GOTO ou PIONEER ELITE. Não sei se ter sido samurai ou ninja ajuda muito.
Abraços
Nestor
De: Edu Silva <edusilva§bahianet.com.br>
01/08/00 19:21
"Flávio J. Moritz Jr. (§Dígitro)" escreveu:
>
> Minha intenção aqui é determinar o quanto os audiófilos
> tem razão. Em tempo, nem de longe sou audiófilo.
> Mas que a paixão por A/V é grande, ah! isso é. Bem,
> falar para um audiófilo em um cabo 18 AWG para
> falantes/caixas de 8 ohms seria impensável.
Tambem acho. A tabela se aplica a sistemas de som ambiente sem o uso de transformadores (linha de tensao constante), quando e' preciso otimizar ao maximo o projeto, sempre pensando na relacao custo / beneficio (eu disse "otimizar", e nao simplesmente "cortar custos").
Claro que, em sistemas de som doméstico (hifi) e monitores em estúdios,
não precisamos nos preocupar com o custo dos cabos, devemos usar a bitola
mais larga possivel que não se torne incômoda. costumo recomendar cabos de 2
ou 2,5mm2 para esses usos.
Em sonorizacao de eventos musicais ao vivo (shows, etc) o comprimento dos
cabos deve ser o menor possivel, pois nao podemos sequer pensar em perdas.
Os cabos devem ser grossos - uso 10 AWG (4mm2) nos graves, 12 AWG (2,5mm2) nas
demais. Nao e' por outro motivo que usamos os racks de amplificadores bem
proximos das caixas, isso quando nao nao falamos em sistemas ativos, com toda
a eletronica embutida nos proprios sonofletores.
> A tabela que o Edu Silva apresenta no
referido email
> indica 18 AWG para distâncias até 15m, assim evitando
> perdas maiores que 0,5 dB. Entretanto, o Edu não
> menciona dados como potência e sensibilidade dos falantes/caixas.
Nem precisa. Veja que o fator relevante para o calculo das perdas e' a impedancia da falante utilizado, no caso, 8 ohms (para 15 m cabo 18 AWG = 0,75 mm2). Como cada metro do referido apresenta resistencia igual a 0,02 ohm, temos que:
15 x 0,02 = 0,3 ohms - como temos duas vias no cabo (ida e volta), sao 0,6 ohms totais.
O que representa menos de 10% de acrescimo na resistencia total do sistema. E' claro que existem limites para a potencia que se pode aplicar com essa bitola de cabo. Teoricamente seria de 200W em 8 ohms, uma vez que ele aguenta uns 5 A de corrente para fiacao embutida em conduites, para melhor protecao.
P = I2 x R (P em watts, I em amperes, R em ohms)
P = (5x5) x 8
P = 25 x 8 = 200
Na pratica poderia ser ate' mais, pois esse valor representa consumo constante (como em lampadas) mas sabemos que em audio o nivel de sinal (e, por consequencia, da corrente circulante pela fiacao) varia continuamente. Por outro lado, tal pratica implicaria em perda de graves e outros pepinos, sem falar que estamos lidando com impedancias, e nao com resistencias simples.
Portanto, a experiencia nos fez estabelecer um valor (bastante otimista, eu diria) de metade dessa corrente (2,5A), o que nos da' 50 W RMS para tal bitola. Em se tratando de um sistema de som ambiente (baixa potência), e' mais que suficiente. No caso de distancias e/ou potencias maiores, deve-se seguir o que foi dito ao fim da referida mensagem, onde recomendo que se envie o sinal em nivel de linha ate' o local a ser sonorizado, onde estara' instalado o amplificador e falante(s).
Edu Silva -- ES2 Audio
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