Descrição: Técnicas de captação de instrumentos de teclas em estúdio e eventos ao vivo Categoria: Acústicos ::
Tipo: Perguntas e respostas Data: Seg 17 Jul 06 15:56 ::
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Palavras-chave: piano, órgão, cravo, gravação, microfonação
De: Carlos Cristino carlosrutis§yahoo.com.br
Data: 16/05/03 22:46
Assunto: [Audio List] Microfonação de piano
Olá,
Gostaria que os amigos da lista pudessem "me dar uma luz" sobre como microfonar um piano num ambiente fechado para PA. Existe uma caixa de retorno a 1 m de distância do piano (com projeção de som paralela a este). O piano é de cauda de 1,5 metros.
Desde já obrigado!
De: Edu Silva
Data: 19/05/03 09:07
Oi Carlos,
Em PA, não é fácil trabalhar com microfone num piano. Ele irá captar muito vazamento do palco e a microfonia é quase certa. Se for inevitável, o pianista deverá usar fones como retorno - de preferência um modelo profissional semi-aberto tipo o Koss PortaPro ou in ear (the Plug da Koss, bom e barato). Livre-se do monitor de chão.
Mesmo assim, poderá ter de inserir um EQ de 1/3 (30 bandas) ou paramétrico no canal do mic (ou num subgrupo, caso use mais de um) para cortar as frequencias de realimentação que poderão vir do PA (detalhes na biblioteca do site, nos textos sobre som de palco).
Em situações onde o piano é instrumento solo, ou quando toca em dueto ou pequenos grupos e sem retorno, é fácil. Uma boa idéia - útil inclusive em gravações de concertos - é esta:
O mic fica a pelo menos 1,5 metro de distância do piano, para poder captar todas as cordas. Quanto mais distante, mais "espaço" e menos "brilho" terá o som do instrumento. Ponha num suporte elevado, e mirando para a tampa, como mostra a figura. Dessa forma, captará menos as reflexões na tampa e chão.
Como alternativa, tente variar a posição como mostra a figura seguinte: com o mic próximo às cordas agudas, o som é mais brilhante; se mais atrás, temos mais "peso" e graves.
Quando com orquestra, pode haver vazamento de outros instrumentos no microfone. Se incomodar, uma técnica de close micing terá de ser adotada. Use dois microfones bem próximos ao piano, captando logo acima dos martelos e recuados uns 20 cm. Veja:
O som captado é bem natural e equilibrado, captando bem a "mecânica" do instrumento.
O efeito estéreo não é mono-compatível, portanto se o evento for transmitido pela TV, melhor será usar um par coincidente X-Y ou mesmo um mic stereo 15 cm acima das cordas médias e 20 cm atrás dos martelos, com a tampa semi-aberta. A sonoridade então será "escura", sem ataque, mas dá melhor isolação contra sons externos. Pode precisar de atenuação nos graves e reforço nos agudos.
No piano vertical (armário), a coisa é diferente:
Em música suave, quando queremos menos ataque (martelos), podemos colocar os mics e frente ao piano (um de cada lado do músico), a 20 cm do painel (A). Cada mic capta parte da sonoridade do instrumento, mesmo assim podemos usar apenas um, ou ambos em estéreo. Essa mesma disposiçao dá um som bastante natural e com ataque, se o painel frontal for removido.
Em música pop, para captar melhor o ataque dos martelos, remova o painel frontal e ponha os mics como em (B). Um dos mics capta as cordas graves e outro as agudas. Se usar um mic só, ponha mais próximo das agudas.
Em apresentações ao vivo onde possa haver realimentação, use os mics quase dentro do piano, por cima (C).
Em estúdio, também podemos microfonar por trás (D), com um ou dois mics apontados para o painel traseiro (uns 30 cm de distância). O equilíbrio tonal é muito bom. A traseira do piano deve estar afastado da parede, de preferência voltada para o centro da sala (ou seja, o músico de costas para a parede).
Mas se a apresentação for com banda (música popular), melhor não usar microfones, ou acabará tendo problemas. Prefira um captador de contato, como um Barcus-Berry. É a melhor forma de se captar bem um piano num palco com retorno, sem medo de microfonia.
Aqui você pode ver os melhores locais para instalar o sensor. Num piano de cauda, grude na tábua harmônica, por dentro (passe por um dos furos na armação de ferro). Num piano de armário, ponha por fora, na tábua harmônica, na região aguda. Em ambos os casos, será preciso experimentar até encontrar o ponto derto. Esses captadores vêm com um adesivo, utilizado para fixá-lo onde necessário.
No final das contas, você acabará achando muito melhor comprar um ou dois captadores de contato, sairá mais barato que microfones, e sem dores de cabeça.
Edu Silva
De: audiowizards§brturbo.com
Data: 19/05/03 10:09
Ola,
Só acrescentando ao que o Edu escreveu, já fiz captação de piano com os mic de contato da Barcus-Berry e o som ficou muito bom, mas não será fácil encontrar esse captador.
Eu o usei por alguns anos entre 1980 e 1990. Consiste em tres barras (vem uma quarta barra maior para pianos com 102 teclas) magnéticas onde através de um suporte específico é disposto embaixo das cordas altas, embaixo das médias, e a de baixas é apoiada pelos reforços de madeira acima das cordas. De cada uma das barras vem um fio de alimentação que é ligado a um pequeno mixer da Barcus, que envia o sinal (mono) já balanceado.
O timbre, depois de "mixado", é bastante satisfatório e a realimentação, praticamente inexistente. As notas mais baixas ficam meio "secas" sem o low end, mas dá para consertar com um posicionamento da barra mais para o meio das cordas.
Detalhe: o som do piano (a caixa de ressonancia) desaparece!! Seria bom ter um bom condenser mic cardióide, acima das cordas a uma distancia de uns 50 cm, mas sem endereçar esse sinal para a via de monitor. Voce talvez tenha problemas de vazamento nesse mic, mas pode conseguir um ótimo timbre somado aos sensores da B-B.
Gostaria de saber se alguem da lista tem experiencia com microfones de contato da C-Ducer. Sei que servem para pianos acusticos, mas existem opçoes mono e stereo. Para se obter o piano stereo seria mais adequado usar um C-Ducer mono + par de microfones (PZM ou outro condensador)?
De: "Jose Augusto Mannis" <jamannis§uol.com.br>
Data: 23/05/01 11:13
Devido à alta velocidade de propagação do som na madeira do piano, me parecer que tentar captaçao estéreo (ou seja com relevo sonoro) com microfones de contato (C-Ducer) é uma coisa um pouco difícil. A não ser que tenha alguma técnica de captar sinais diferentes no piano e distribui-los em seguida com balanceamento de intensidade e atraso... Isso seria mais uma pseudo-estereofonia.
Site C-Ducer:
"C-ducer contact microphones have been used on a wide variety of instruments, guitar, violin, drums, banjo, harpsichord and many others, but perhaps with most success on the piano. Two 8" (20 cm) C-ducer strips are mounted on the soudboard to produce excellent results on literally thousands of pianos in live and studio applications."
Os dois microfones 8" instalados como indicado na pág. http://www.c-ducer.com/row/row_piano.htm captam sinais com timbres diferentes. Isso permite obter uma qualidade sonora boa, se bem "temperado" pelo produtor/engenheiro de som. Praticamente não há atraso nem efeitos de variação de intensidade L-R como por exemplo sombra acústica da cabeça humana.
JAMannis
De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
Data: Wed, 23 May 2001 20:27:53 -0300
Odorico Nina Ribeiro Neto escreveu:
Para se obter o piano stereo seria mais adequado usar um C-Ducer mono + par de microfones (PZM ou outro condensador)?
Pretende usar em PA ou estúdio? Sendo em PA, o evento será gravado? O uso (ou nao) destes transdutores depende enormemente desses pontos.
Para estúdio, provavelmente você vai acabar preferindo um ou dois pares de mics a condensador para clássicos (em salas grandes e com boa acústica), ou PZM em condições mais críticas (acústica deficiente) ou salas menores.
Piano ao vivo em palco com retorno, é problema. Quando o SPL não é muito alto e o pianista tem retorno por fones, existe um truque: uma manta acústica (ou material com efeito semelhante) "fechando" o piano como na figura abaixo.
Funciona, a manta isola os mics do ruído externo. O problema é o visual. Se o piano ficar na frente do palco, ou pior ainda se o show for gravado em vídeo, não fica legal... (obs: em estúdio, nas gravações de jazz e clássicos, onde todos tocam juntos, esse procedimento é essencial).
Caso queira televisionar o evento ou graver em DVD (e não há retorno e o vazamento do PA é pequeno), pode usar um par de PZMs, são bem discretos. Se além disso, tiver também o captador de contato, envie este ao PA, enquanto os microfones irão à mesa de gravação ou transmissão. Microfones de superfície (chamados PZM) são bons para gravação de piano, mas também podem ser úteis em PA, desde que não haja retorno. Por exemplo, em apresentações de orquestras ao ar livre.
Na primeira rigura, um exemplo de como instalar dois desses microfones sob o tampo: um deles capta as cordas mais graves e o outro as mais agudas, possibilitando um bom equilíbrio durante a mixagem. Note que este último fica longe dos martelos.
Pode-se captar também com apenas um, mas o melhor aqui é pô-lo embaixo do instrumento (segunda figura). O som será mais equilibrado que apenas um no tampo, mas se houver vazamento do PA (em caso de sonorização de evento) haverá microfonia. É mais indicado em gravação, quando o piano não é instrumento solista.
Em boa parte dos shows, entretanto, (música pop) o SPL no palco é alto, e a saída é usar captadores de contato.
Edu Silva
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De: Titio
Data: Dom 20 Abr 08 11:57
Assunto: C-Ducer em piano acústico ao vivo
Olá pessoal.
Alguém aqui já utilizou os captadores de contato C-Ducer em piano acústico ao vivo com amplificação para o PA? Funciona? Usa-se com a tampa do piano aberta mesmo ou tem que fechar? Alguém pode comentar algo sobre este assunto?
Já trabalhei com captadores de contato, de diversos fabricantes e de fabricação própria, em piano e outros instrumentos. Funcionar eles funcionam, mas não espere perfeição.
O som do C-ducer, como o de qualquer captador de contato, não é o mesmo que você ouve (acústico), portanto precisa de alguma equalização para soar decente. Mas muitas vezes, é a única maneira de se conseguir amplificar um piano num palco barulhento.
Eles devem ser grudados com uma dessas fitas colantes de dupla face, na parte de baixo do piano, não na tampa. Então tanto faz se fica aberto ou fechado.
Mas não é fácil achar o lugar exato para o melhor som. Uma dica: entre debaixo do piano e com os ouvidos, procure os pontos onde o som é mais nítido. Ponha alí os captadores. É mais fácil captar as cordas graves.
A maior parte das reclamações que já ouví sobre a qualidade do C-ducer (e outros captadores de contato) vem do mau uso: muitos não sabem que, para um correto funcionamento o captador precisa estar firmemente preso à superfície vibrante. Caso contrário, o som será metálico e sem peso. E use sempre com seu pré, ou perderá muito.
Com microfones é mais dificil captar o piano no PA. A única maneira que já consegui sem muito vazamento, foi com dois eletretos pequenos (bons mics de lapela servem) colados com fita durex na tampa, que deve ficar sempre fechada. Para evitar que captem vibrações mecânicas, use uma peça comprida de espuma com uns 5 mm de espessura: prenda com durex na tampa (por dentro, claro) e nela os mics. São dois, espaçados de forma a "pegar" todas as cordas. Mics tipo PZM também servem. Mas qualquer que sejam os mics, se tiver um retorno potente por perto, esqueça...
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Edu Silva
De: Titio
Data: Qua 23 Abr 08 09:25
Valeu Edu.
O que não tinha falado antes é que não teria uma banda tocando junto. Isso seria somente para amplificar o piano acústico em eventos de grande porte. Fiz um trabalho uma vez num festival de música internacional que aconteceu em Olinda dentro das igrejas, o M.I.M.O.. Foi um show de João Donato no piano e Paulo Moura no sax. Usei 2 Behringer B1 no piano que a firma disponibilizou pra mim, e não tive problemas não. Ficou muito legal o som, mas era dentro de uma igreja e o PA era somente duas caixinhas amplificadas (acho que eram Behringer também). O mesmo som era enviado para um outro PA fora da igreja aonde tinha público também. Não usei monitores e não foi preciso aumentar muito, por causa da acústica do local e o público não fazia barulho.
Como nunca amplifiquei o som de um piano acústico num grande PA, fiquei curioso de como o pessoal faz isso, pois no Abril Pro Rock o operador de PA do pianista não conseguiu colocar o som na frente satisfatoriamente, pois realimentava antes. Eu estava trabalhando no monitor deste festival no palco 2 onde teve este show. Ele usou 2 Audio-Technica condensadores AE3000. O produtor deste pianista me ligou, pois leu um comentário que fiz do festival no meu blog e pediu pra ajudar. E é isto que estou tentando fazer. Virou uma lição de casa.
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Um abraço.
Titio.
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De: "Carlos Nascimento" <cebn§ieg.com.br>
14/04/2002 dom 21:50
Assunto: [Audio List] Gravação em Igreja - o mais barato possível
Em julho próximo ocorrerá na cidade de Mariana/MG um encontro nacional de organistas, que discutirá assuntos ligados ao órgão lá existente (lógico). Como irei participar, pretendo gravar as apresentações e palestras para USO PESSOAL (nada profissional).
Pretendo levar 2 microfones, 1 mixer e 1 gravador. 1 mic ficará para o órgão e outro para o palestrante que pode (ou não) estar longe do instrumento. Para o palestrante, já possuo aqui um mic genérico, fuleiro, em outras palavras, mas que se presta bem à esta função. A idéia não é captar bem o som; é apenas captar. Para o órgão pensava em algo com uma resposta um pouco maior e mais 'plana' (se é que se pode chamar um mic simples de plano). Por isso pensava em um SM-57, Shure, que, segundo li "por aí", é indicado para instrumentos diversos. Seu preço é relativamente convidativo (para aqueles que trabalham com gravação é barato, para mim que não pretendo, não é). Existe mais alguma opção, mesmo que 'sem vergonha' para usar a fim de gravar o órgão?
O mixer é um VM-3100 Roland. Creio que a única coisa que presta neste set. O gravador será um... videocassete, que, possui 2 canais (L/R) e servirá perfeitamente para tal função. Não possuo ADAT, DAT, gravador de HD, nada. O videocassete, inclusive, já usei para outros fins de gravação simples e gostei do serviço final, então ele não será o problema. Estou apenas incluindo para ficar registrado a 'pataquada da gravação'.
A questão que fica é: qual um mic simples, barato e, dentro do possível, bom que se preste para a gravação do tal órgão? A acústica na Igreja é 'boa', pois se trata de uma construção barroca (cimento com madeira) e de pequenas proporções. Então a questão do eco não irá atravancar muito os trabalhos.
Carlos Eduardo Nascimento
De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
15/04/2002 seg 10:01
Use tres microfones, um para o palestrante e dois para o orgão. Grave em estéreo, não é todo dia que se tem essa oportunidade, e faça bem feito. Voce notará uma enorme diferença: sendo um instrumento grande, voce poderá captar toda a sua imponência em estereo. Alem do que, boa parte do som dele se deve à reverberação do local, que não atrapalha, muito pelo contrario!! E gravar a ambiência de uma igreja em mono...
O SM57 pode ser bom para instrumentos de percussão, metais (sopros) e afins, mas não para orgão. Nem e tão barato assim, muito menos plano. Sua resposta é "trabalhada" para esses instrumentos, você perderia os fantásticos graves de um orgão de tubos.
O ideal seria que você alugasse dois mics de condensador ou mesmo bons eletretos (qualquer mic de condensador servirá). Não acho que vale a pena comprar para usar apenas uma vez: melhor alugar um bom mic que comprar um "meia-boca", e sai até mais barato.
Voce não perguntou sobre a tecnica de posicionamento dos microfones, mas isso é tão ou mais importante que sua escolha:
Use a técnica XY (detalhes na Biblioteca). A distância dos mics ao orgão será de uma vez a uma vez e meia a largura do instrumento, ou seja, se o orgão tem 3 metros de largura os mics devem ficar entre 3 e 4,5 m de distância dele. A propósito: veja se todos os tubos realmente emitem som. As vezes, os tubos das extremidades servem apenas para enfeite, então não os leve em consideração na avaliação da distância dos mics.
A altura deve ser a metade do orgão, e aponte (orientação vertical) os mics para as abeturas dos tubos, mas sem perder o ângulo de abertura recomendado pela técnica XY. Se quiser mesmo gravar com um só mic, ponha mais longe para melhor captar o ambiente, uns 5 ou 7m (em gravações mono, o reverb é menos notado).
Experimente antes, e teste a melhor posição dos mics para uma captação perfeita. Não se esqueça dos pedestais, devem ser grandes e pesados. Para segurar 2 mics na tecnica XY, deve ser usado um suporte próprio. Não vai precisar de compressor, efeitos nem equalização. Assim que voltar para casa, trate de passar a fita para CD, fitas de video sofrem com drop-out (perdas do material gravado) e em pouco tempo seu trabalho estará comprometido.
Faça a coisa direito (não precisa gastar muito), e gostará do resultado. Quem sabe não vão rolar alguns serviços a partir daí?
Edu Silva
De: "Carlos Nascimento" <cebn§ieg.com.br>
15/04/2002 seg 23:56
Assunto: Re: [Audio List] Gravação em Igreja
Usando essa minha idéia de distribuir em L/R, como funcionaria no caso de 3 mics? Como eu poderia jogar na mesa? Eu estava pensando em fazer 'um canal' (L ou R) para a voz e outro para o órgão, para quando jogar no computador, ter controle 'independente'.
Como o SM58 é 'genérico' (pau pra toda obra), pensei que o 57, para instrumentos, tambem o fosse. Na verdade, não entendo patavinas de microfones.
Não dispomos de muito espaço. A idéia seria posicionar ao lado mas direcionado ao instrumento, cerca de 5 ou 6 metros do mesmo e a altura (nessa posição) fica correta.
Carlos Eduardo Nascimento
De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
16/04/2002 ter 12:04
O palestrante vai "palestrar" enquanto o orgão toca? Estranho. Se for, então se quiser controle dos niveis para a mixagem, gravando em apenas dois canais, terá de se contentar com o orgão mono.
Caso contrário, pode gravar a voz em ambos canais (pan da mesa no centro) e o orgao tambem (um mic no L, outro no R). Passe para o PC em blocos (cada palestra num arquivo WAV, cada peça do orgão em outro), assim terá mais flexibilidade de ediçao.
É facil encontrar um estúdio ou locadora de PA que possa alugar os microfones e pedestais apropriados (pesados), alem de suportes antivibração (explique ao locador o que pretende). Procure na lista telefonica ou nas páginas das revistas especializadas.
Sobre as marcas, não é nada critico: AKG, Neumann, Shure, Rode, CAD são bons exemplos, os preços variam. Escolha de acordo com seu orçamento e explique o uso ao locador, para ajudar na escolha. Evite os mais baratos, tipo Behringer & cia.
Dei uma olhada nas fotos, não há muito espaço para a distribuiçao correta dos microfones. Se fosse uma gravação comercial, poderia ser providenciado um "varal" com um cabo de nylon estendido entre as paredes laterais de igreja, numa posição tal que possa sustentar os microfones no local correto. No caso, seria mais adequado um mic estéreo, como o Sony VP88 ou Crown SASS.
No texto de seu site consta que já foram feitas gravações lá. Seria o caso de procurar saber quem e como.
Se for usar mesmo so um mic, faça como pretende, esta OK. Por outro lado, se voce resolver entrar de cara mesmo na coisa e gravar mais profisionalmente (quem sabe o pessoal lá não lhe pede para gravar um CD "de verdade"?), com o mic stereo "pendurado" como sugerí (como as vezes é feito em casos semelhantes), seria melhor alugar tambem um ADAT. Assim, voce teria canais independentes para voz e orgão, se necessario. Pense nisso!
Edu Silva
De: "Carlos Nascimento" <cebn§ieg.com.br>
17/04/2002 ter 22:31
Será um congresso. Workshops de manhã/tarde e concertos à noite. A idéia que está me ocorrendo agora é gravar nos workshops 1 canal com a voz e 1 para o órgão (sem a ambiência) pois o mais importante aí não é o som do órgão e sim a voz do palestrante e para os concertos 2 canais só para o órgão (com a ambiência). Seria uma boa saída (penso eu).
Edu Silva escreveu:
No texto de seu site consta que já foram feitas gravações lá. Seria o caso de procurar saber quem e como.
Técnicos da Holanda que revelam o segredo da formação do universo, mas não da gravação. Vou ter que tirar na raça.. Estou partindo do pressuposto q o mic do órgão não terá mtos problemas de captação pois o instrumento é 'volumoso' o suficiente para se ouvir quase com a mesma clareza em todo o recinto (o que já não acontece com um violão, por exemplo)...
O da voz é mais para virar um possível texto um dia... E o concerto pro pessoal da associação, talvez as palestras tambem, mas não creio em nenhuma outra hipótese. Pensei mesmo em alugar algo para gravar, mas não pesquisei nada ainda. E meu mixer tambem só tem saida digital coaxial e optica. Não é o VM-3100 Pro, é só VM-3100.
Aliás, pra apimentar um pouco mais as coisas, concomitantemente ocorrerá a semana dos teclados, reunindo pianistas, cravistas e clavicordistas... Um mic condenser seria interessante para estes instrumentos?
Carlos Eduardo Nascimento
PS.: Não posso gastar muito pois pelo visto, terei durante 6 dias, coisas para gravar o dia inteiro. Tenho que economizar para as fitas VHS. hehehehe
De: Edu Silva <bahi0387§terra.com.br>
19/04/2002 qui 15:27
Gravar piano, cravo, etc??
Existem "milhões" de maneiras de microfonar pianos, mas no seu caso, e para não complicar as coisas, a mais adequada seria a do desenho abaixo, com a tampa toda aberta.
Ponha o mic (mono, estereo ou par X-Y) a 2 ou 3 metros de distância (a depender da tamanho do piano e caracteristicas da sala e microfones), apontado para o ponto onde a tampa se encontra com o corpo. A altura depende da distância e da abertura da tampa - olhe o piano de frente e ajuste como na figura acima. Visto por cima, ele deve estar a aproximadamente 1 metro de recuo em relaçao às teclas, e direcionados aos martelos (para frente).
Para o cravo, servem as mesmas orientações, mas reduza as distâncias proporcionalmente ao tamanho. No caso do clavicórdio, como a tampa se abre voltada para o músico, os mics devem estar na posição dele, um pouco mais atrás e acima (ou mais para a direita, perto das cordas agudas).
Para uma captação mais próxima do piano, sem ambiência (adequada a apresentações onde o som do piano é amplificado pelo PA), experimente as técnicas mostradas neste desenho:
Pode precisar atenuar um pouco em torno de 250 Hz por causa das ressonâncias que existem sob a tampa. Não use retorno, mas se houver, não endereçe os mics à via do pianista,
Esquecí de falar sobre os ajustes nos microfones (as pequenas chaves em seu corpo): use o padrão de captação cardióide (com uma figura semelhante a um coração desenhada), atenuador (pad) desligado (em 0 dB). Filtro desligado (low cut) para orgão e piano, ligado para cravo (se for em 80 Hz, mas não se for 100 Hz). Consulte o manual ou pergunte ao locador, se tiver dúvidas.
Umas dicas de equalização para o piano:
Entre 30 a 80 Hz estão as fundamentais mais graves, não adianta mexer aqui
De 80 a 130 Hz temos o "peso" do instrumento, a região grave
Entre 2,5 e 5k Hz está a zona mais importante do piano, que lhe dá definição e presença
De 5 k a 12 kHz estão os harmônicos e brilho, incluindo aí o som dos martelos
Se o piano parecer "embaçado" atenue um pouco entre 250 e 500 Hz. Alguns pianos de baixo custo ressoam em torno de 700 Hz.
Em gravações com instrumentos de sonoridade média, como violão e sax, tente reduzir entre 2 e 5 kHz no piano para não brigar com eles.
Nas gravações com voz, trabalhe (atenuando ou reforçando) em torno de 100 Hz, 5 kHz e 10 kHz para melhor casar com ela. Pode ser necessário atenuar uns poucos dB entre 300 e 600 Hz.
Compressão:
Ajuda a "educar" um pouco o som do piano dentro do conjunto, mas deve ser usado com cautela.
O ataque não pode ser muito rápido, permitindo que as otas tenham algum impacto. 5 ms é um bom valor.
O release deve ser médio, acompanhando o contorno das notas do instrumento. Tente 20 ms, mas se o pedal for usado com frequência, o ajuste será dificil.
Um threshold de -10 dB e ratio entre 3:1 e 4:1 também podem ser adotados como ponto de partida.
PS: eu mereço uma copia do CD, não?
Edu Silva
Nova série de mensagens
De: leander solyom
Data: 9 de Dez de 1999 9:21 pm
Assunto: som do piano
Saudações
Estou com um problema sério para microfonação de um piano de meia cauda. Já testamos várias altenativas, desde posicionamento até o tipo de microfone (Shure SM58, SM57 e tipo PZM).
Apesar de todos os esforços o som continua metálico ou passa a tender para o médio-grave perdendo o timbre característico (ja tentamos passar o sinal por um equalizador exclusivo para o piano, sem sucesso).
Gostaria que me dessem alguma idéia sobre otipo de microfone adequado e seu posicionamento.
abraço
Leander
Mauricio Domene
9 de Dez de 1999 10:31 pm
Oi Leander
Microfonar no palco ou em estudio?
Se for em estudio (ou em ambiente sem PA), tente afastar mais o microfone, assim ele capta o som mais natural. Se for no palco... dificil. Tente um teclado no lugar
Abraços
_______________
Mauricio Domene
Denio Costa
10 de Dez de 1999
6:46 pm
Leander,
voce nao informou se e para show ao vivo ou gravacao em estudio. Os 414 da AKG funcionam bem para sons de piano. Acho que o 57 e o 58 nao sao os mais indicados para esta aplicacao. Tente mesmo outros microfones a condensador.
Denio Costa
Octavio Brito
10 de Dez de 1999 6:18 pm
Caro Leander:
Dependendo do volume necssário, o melhor que eu tenho ouvido, para apresentações ao vivo, é um C-Ducer estéreo em baixo dos martelos e dois AKG C414BTLII posicionados mais ou menos na metade do comprimento das cordas.
Não sei se alguem tem C-ducer à venda no Brasil.
Octavio
LC Varella
10 de Dez de 1999 6:20 pm
OI Leander,
se voce fala de piano acustico de meia cauda em show com banda tocando junto, eu já tive esse problema trabalhando com a Gal por mais de 10 anos. A melhor solução que encontrei foi uma captaçao mista, que conheci em dois festivais. Uma vez em Vienne encontrei um piano de cauda com sete microfones dentro! A principio, não entendi como usar sete mics? Absurdo!! Realmente era um absurdo. Os mics eram para escolha de cada banda. Experimentei todas as combinacoes que haviam.
O que tinha era: Dois 414, dois SM91 dois C-ducer e um 460. Nessa epoca eu fazia o PA e o INHA fazia o mon e a melhor opcao foram os microfones de contato tipo C-ducer ou captador Seymor Duncan com EQs insertados para o mon e uma sombra dos mics mas musicas lentas. No PA eu usava os captadores combinados com os SM 91, dependendo do piano e da mesa nem precisava de EQ.
Aliais isso é importantissimo, O PIANO e obviamente o pianista e a acustica do local do show. Outra vez, no mesmo ano em Montreux, usei dois 414 e um 460 mais os captadores. Essa microfonacao passou a ser basica para piano acustico e a colocacao dos mics quase milimetrica e eu sempre perdia um tempo com o pianista para ficar bom.
Abraços LC Varella
ricgama.cgp@
10 de Dez de 1999 6:23 pm
Caro Leander,
Em gravações, tente um par de 414 EB da AKG. Em PA, umas dicas: resista a tentação do estereo e observe o equilibrio e a qualidade da captação. Tente um captador de contato.
Abs
Ricardo Gama
Egidio Conde
13 de Dez de 1999 8:03 pm
Leander,
Posso acrescentar alguma coisa com relação ao som do piano.
O som metálico inváriavelmente vem do cancelamento de fase acústica dentro da caixa do piano, ou do piano mesmo, se for ruim. Sempre que se colocar dois micofones espaçados dentro do piano, ocorrerá cancelamento de fase, mais ou menos proporcional à medida do comprimento de onda entre eles.
Em um PA, o piano será sempre o elo mais fraco do sistema, assim, se for usar um SM58 ou similar, é preferível usar um microfone só, de preferência no meio, bem sobre os martelos onde a emissão é mais forte. Pode ficar martelado, pode, mas dá para equalizar, e normalmente a área mais utilizada do piano é o meio. Assim voce tem uns dBs a mais.
Como o volume do piano normalmente é muito baixo em relação aos monitores, percussão e amps do palco, todo o sistema estará vazando no microfone do piano, e se estes estiverem com cancelamento de fase, todo o PA ficará ruim. Monitore o PFL do piano para sentir o que acontece de vazamento.
Se voce dispor de captadores como C-ducer ou Barcus-Berry, conseguirá melhor separação.
No caso de usar dois microfones condensadores como 414 ou 480 AKG, sempre utilize uma configuração X-Y com as cápsulas coincidentes para evitar o cancelamento de fase, colocados no meio do piano, sobre os martelos, direcionando um para os graves e outro para os agudos. Se puder, use um osciloscópio para monitorar a fase.
No caso de gravação, sem PA, o microfone deve estar mais distanciado, utilizando ou não a acústica da sala.
Se puder, use um osciloscópio para monitorar a fase.
Quem tem o Audio Toolbox, pode utilizar a funcao scope e medir o eixo XY enderecando cada sinal dos microfones, para um canal de leitura.
Denio Costa
Marcos Ski
13 de Dez de 1999 11:16 pm
Para checar as fases voce tambem pode se usar um Notebook com o programa SpectraLab.
Você pode usar a saida Direct Out dos canais da mesa de som. Mic 1 para o L e Mic 2 para o R e ligar direto no Computador. Da certo na mesa de PA ou no monitor, e para gravação fica mais facil e mais preciso.
Um abraço amigos
Marcos Ski
R. Mizutani
14 de Dez de 1999 12:13 pm
Caros Egídio e Leander,
Primeiro, gostaria de parabenizar o Egídio pelas dicas bem fundamentadas a respeito de técnicas de microfonação de um piano em shows. Concordo com a afirmação de que o piano é (geralmente) o elo mais fraco do sistema. Obter um bom som é uma tarefa muito complexa, tanto no PA quanto na monitoração dos músicos (ok, não esqueçamos da gravação ao vivo). Mas o que é um bom som de piano? Faço esta pergunta para iniciar as minhas observações pessoais:
1. O ideal para todos (técnicos, público, músicos, diretor musical e artista) seria a possibilidade incondicional de se elevar a intensidade do som natural do piano a qualquer nível desejado, sem a alteração de seu timbre e de outras características. Portanto, um bom piano jamais soaria metálico, exageradamente percussivo, ressonante etc. "Um som natural" é a exigência do músico. Ok, voltemos à realidade;
2. Quando se obtém uma ótima captação do piano isoladamente, via microfones, certamente o som mais natural é obtido com um certo afastamento destes, e com o tampo aberto, ou semi-aberto. Obviamente, se os outros componentes da banda não estiverem razoavelmente afastados, ou isolados por gobos, um mar de vazamento acabará inviabilizando a reamplificação sonora. Ok, este fato óbvio relata o aspecto "vazamento".
3. Se a natureza do espetáculo for "MPB com um toque de clássico" como a maioria dos shows se propõem, não basta o piano de calda figurar no palco, esta harmonia tem que estar de igual com as seções de percussão, bateria, guitarra etc. Uma covardia, diria o Joel. Qual a preocupação neste caso, qual é o aspecto envolvido? "Máximo ganho antes do feedback". Esta é uma exigência do diretor musical.
Vamos fazer algumas considerações. Dos três aspectos citados, "som natural", "vazamento" e "máximo ganho antes do feedback", qual você daria prioridade nos momentos de decisão/montagem?
Eu ficaria mais atento ao aspecto "vazamento". De nada adianta ter um som natural nos canais do piano se, junto com ele, se ouve (e se reamplifica) os demais instrumentos. Não dá para se mixar assim... Equalização diriam alguns... É, e o "som natural" (se era natural...) perdeu-se com a equalização, portanto, não adiantou em nada tolerar-se o vazamento para este propósito. Ok, como se obtém um resultado intermediário, ou seja, um vazamento "tolerável" com um som razoavelmente natural? Sugiro se fechar o tampo do piano com dois SM-91 dentro. Nas passagens mais tênues, o som é bem razoável, mas se o pianista "senta a mão", o resultado parece um pouco embolado e distorcido. Os PZM's não respondem bem a esta faixa dinâmica (acho).
E nesta situação, com os SM91, como fica o "máximo ganho antes do feedback" ? Dependendo do comportamento da banda, o piano ainda é sofrível. Conforme você aumenta o ganho dos canais de piano, pinta aquela microfonia grave, afinal, a caixa do piano, mesmo com o tampo fechado, ainda não é plenamente hermética, continua sendo uma cavidade ressonante. Atenuando este efeito, certa vez vi a utilização de tube-traps (absorvedores de graves) colocados debaixo do piano; o técnico me afirmou que eram bem eficientes. Dava para se obter mais ganho antes da microfonia.
Mas existe alguma resposta definitiva para qualquer um dos aspectos envolvidos? Há. Se a maior dificuldade da gig é obter o maior volume possível do piano, sem microfonias, recomendo utilizar o recente captador para pianos da Barcus-Berry. Utilizando-se mais do que um, estrategicamente dispostos, até é possível se obter um som bem natural, e com o tampo do piano aberto! Perguntem ao Zé Carlos do Chico Buarque sobre este captador/salvação.
Mas no final de tudo isto, o mais complexo é atender aos músicos, ao diretor musical e ao artista, _simultaneamente_! Cada um deles tem um conceito diferente do que é um bom som de piano! Por mim, sempre que possível, prefiro ter instalados SM-91's e captadores. Somente em condições controladas eu utilizaria os microfones, seja SM81 ou C-460 - mesmo com o tampo semi-aberto, o vazamento é terrível.
A combinação dos PZM's com captadores permitem um som natural nas passagens mais reveladoras, (quando estão mais abertos os canais dos SM-91's). Quando o "pau come" em cima do palco, os Barcus Berry dão a definição e o volume necessários.
Equalização, muito pouca, apenas filtragem e técnicas de posicionamento. Como bem salientou o Egídio, há muito cancelamento dentro do piano, e a equalização não resolve isto. A "equalização" é no fader, ou no balance dos canais utilizados para o piano. Bem, este foi um relato pessoal, baseado em minha experiência com a Bethânia, pouco técnico e teórico, mas espero ter contribuído com sugestões válidas.
Um abraço,
R. Mizutani.
Egidio Conde
15 de Dez de 19992:06 am
Caro Mizutani,
Obrigado pelos acréscimos bem oportunos, mas eu gostaria de dizer que na minha opinião pessoal, jamais fecho a tampa de um piano, sob nenhuma hipótese.
Comparo esta atitude à de colocar microfone dentro de um violão, ou microfonar uma caixa acústica por dentro. Ao se fechar a tampa de um piano cancela-se a oportunidade das frequências expandirem-se criando a pressão sonora que você cita como distorcido e embolado pois prolonga-se a permanência das notas mais do que o desejado dentro do piano. Dois PZMs omni dentro então, dá arrepios.
Mude-se o piano de lugar, coloquem o tampo atuando como um anteparo à banda, mas deixem sempre a tampa aberta, pelo menos no primeiro suporte.
Grande abraço,
Egidio Conde/Audiomobile
leander solyom
16 de Dez de 1999 9:14 pm
Primeiramente gostaria de agradecer a colaboração e o empenho das sugestões e verdadeiras aulas sobre microfonação do Piano.
Fiquei muito curioso quando a maioria indicou o uso de captadores de contato, como o C-ducer e o Barcus-Berry. Gostaria de ter mais iformações sobre este microfone.
[]'s
Leander
Joel Brito <jvdebrito>
1 de Jul de 2002 12:10 pm
A grande vantagem deste tipo de microfone é com relação à realimentação e vazamentos. Microfones condensadores lhe darão um som melhor, mas os captadores, principalmente quando usados em palcos com retornos para os músicos, dão uma margem de ganho melhor.
Abs,
Joel
Apêndice: mais dicas de microfonação de piano (por: Edu Silva
Piano de cauda
30 cm acima das cordas das notas médias, 20 cm "para trás" dos martelos, sem tampa ou com ela toda aberta. Tom natural e equilibrado. É um bom lugar para um mic stereo ou par coincidente. Para suavizar o som percursivo dos martelos, mova o mic para longe do teclado.
15 cm acima das cordas agudas. Natural, ligeiramente brilhante. Com um mic nessa posição e outro acima das cordas graves, temos uma captação em stereo, porém não mono-compatível.
Apontando para os furos da armação de aço. O som é "magro" e "duro", podendo necessitar de reforço nos médios-graves e agudos. Bom para rock.
15 cm acima das cordas médias, 20 cm atrás dos martelos, tampa semi-aberta. Sonoridade "escura", sem ataque. Melhor isolação contra sons externos. Pode precisar de atenuação nos graves e reforço nos agudos.
No centro geométrico da tampa, bem próxima a ela (por baixo). Som cheio, encorpado. Bom para vídeos, pois quase não aparece.
Sob o piano, apontando para a tábua harmônica. Som cheio, encorpado. Bom para vídeos, pois quase não aparece.
Microfone de superfície (tipo PZM) montado sob a tampa, acima das cordas médias-agudas. Sobre os martelos para um som mais brilhante; longe deles para um som mais melodioso. Som brilhante e equilibrado. Muito boa isolação contra sons externos. Faça experiências com diversas posições do microfone e da tampa (semi-aberta ou semi-fechada, etc).
Dois microfones de superfície (tipo PZM) sob a tampa fechada, bem próximos às teclas, cerca de 2/3 da distância entre o Lá central e um extremo do teclado (um em cada lado). Som brilhante, equilibrado e com ataque. Muito boa isolação contra sons externos. Deslocar o microfone da esquerda uns 15 cm para longe do teclado dá maior realismo às notas graves e reduz o ruído do pedal. Afastar os mics um do outro atenua os médios.
Microfone de superfície (tipo PZM) montado no interior da armação (chapa) de ferro, no fundo do piano. Sonoridade cheia, natural. Muito boa isolação contra sons externos. Sem ruído dos martelos e pedais. Melhor se utilizado com mais dois PZMs como na posição 8, mostrada acima.
Piano vertical (de armário)
No topo, tampa aberta, sobre as cordas agudas. Sonoridade natural mas sem peso. O som dos martelos é nitido. Boa solução para captar com apenas um microfone.
No topo, tampa aberta, sobre as cordas graves. Encorpado, pode soar ressonante. O som dos martelos é nitido. Combine esta posição com a anterior para captação estéreo.
Dois microfones dentro do piano, captando em estéreo tanto as cordas graves como as agudas. Sonoridade natural, e com ruído dos martelos. Bom contra vazamento de sons externos e microfonia em palco.
20 cm em frente ao lado grave da tábua harmônica (traseira do piano). Som cheio e encorpado, talvez um pouco ressonante, sem ruído dos martelos.
20 cm em frente ao lado agudo da tábua harmônica (traseira do piano). Som magro e leve, sem ruído dos martelos. combine com a posição anterior para captação estéreo.
Sem o painel frontal, apontando para os martelos. A distância deve ser definida experimentalmente. Som brilhante, sem ruído dos martelos. Para captação estéreo, use dois microfones, um para as cordas agudas e outro para as graves.
Use um microfone de superfície (tipo PZM) no chão, a cerca de 30 cm da traseira do piano, que deve estar posicionado "ao contrário", isto é, com a traseira voltada para o meio da sala. O som é natural e presente.