Descrição: Veja como preparar suas caixas e equipo hifi para o uso Categoria: Hi-Fi ::
Tipo: Perguntas e respostas Data: Qui 27 Abr 06 19:50 ::
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Palavras-chave: burn-in, break-in
De: "Christian Tanto" <christian§marrari.com.br>
07/10/02 17:54
Assunto: [Audio List] Isso procede ou não?
Recebí esta mensagem, seria verdade?
----- Original Message -----
From: INO SPET
To: CHRISTIAN
Sent: Monday, October 07, 2002 5:26 PM
Subject: AMACIAR CAIXAS????
COMO AMACIAR COMPONENTES DE ÁUDIO
(com rapidez. e sem ficar surdo).
"Uma bibliografia casual"
Por Victor A. Mirol
vmirol§brweb.com
CAIXAS ACÚSTICAS:
Todos nós já compramos um novo par de caixas acústicas. E, claro, chegamos em casa ávidos para instalá-las e ouvir a nova maravilha. Sem dúvida, abrimos, antes de mais nada, o manual e lemos que, para nossa desilusão, "estas caixas atingirão o seu rendimento sonoro adequado depois de 100 horas de funcionamento a volume normal...". Alguns dirão que são necessárias mais de 200 horas.
Naturalmente, você não vai esperar todo esse tempo, imagine: 200 horas. Se formos usá-las, em média, uma hora por dia, levaríamos mais ou menos 200 dias, ou sete meses de espera. E veja lá: se subtrairmos os finais de semana na praia ou na serra, e as quintas feiras à noite - quando vamos aos concertos da Sinfônica do Estado na sala Julio Prestes - e as sextas, com nossas visitas ao Bourbon Street, poderíamos levar um ano. "Ah não!, deve haver um erro!", você pensa.
Ou então, resolve pensar de modo diferente: 200 horas consecutivas, dia e noite, seriam somente 6 dias. Mas, a idéia de dormir com duas caixas berrando a 80 ou 90 dB durante a noite não lhe parece agradável. Menos ainda, se considerarmos os vizinhos. Então você parte para a negação: liga as caixas e inicia a audição assim mesmo. Mas, depois de um tempo, você não repousa. "Estou perdendo o melhor destas caixas", diz. "Elas devem soar bem melhor, e se paguei o quanto paguei por elas, quero o melhor resultado. Não adianta negar",penso, "o amaciamento deve ser necessário..." (e é, amigo).
Agora que já lhe mostrei o drama, venho com a solução. Você pode, sim, amaciar as caixas em quatro ou cinco dias de uso contínuo, sem nem sequer perceber. E deveria fazê-lo. Todos os elementos das caixas, desde os bornes de entrada até os falantes, passando pelo circuito divisor de freqüências e chegando até a estrutura externa delas, devem ser amaciados para estabilizar o ponto de trabalho, tanto térmico, como mecânico. Esse amaciamento deve ser feito proporcionando sinal em todas as freqüências da banda audível.
Vejamos, em primeiro lugar, como o som é gerado...
O estímulo elétrico que chega ao falante pode ser considerado como uma onda senoidal (ou um conjunto delas). Quando a subida inicial da onda chega à bobina móvel, o falante é projetado para frente. No momento em que a onda inverte o sentido e se faz negativa, o falante é projetado para trás, para o interior da caixa. Esse movimento é que produz compressão do ar ao sair, e rarefação do mesmo ao entrar. Estas variações irão se propagar em forma de ondas concêntricas de pressão-rarefação, e isto é o que você ouve como som. Duas caixas, trabalhando com o mesmo sinal, irão duplicar a intensidade sonora emitida. Mas, se fizermos com que elas trabalhem em oposição de fase, quase todo o som será anulado logo no momento da sua criação, produzindo quase só silêncio. Como isso funciona?
... e como anulá-lo no momento mesmo do seu nascimento.
Imaginemos duas caixas acústicas colocadas frente a frente, com os seus falantes quase se tocando. Ao mesmo tempo , invertemos a polaridade de uma delas (conectamos o cabo de falante neutro ao borne vivo e vice-versa). Quando o falante de uma caixa iniciar o seu movimento para frente (gerando pressão no ar), a outra o iniciará para trás (criando rarefação no ar). Dessa maneira, a pressão que seria exercida sobre o ar é anulada pela rarefação que o segundo falante proporciona, ao mesmo tempo, a um milímetro de distância. O resultado é uma pressão nula, ou seja, silêncio. A onda sonora não se forma. O único requisito é que os falantes estejam tão próximos quanto possível, a fim de anularem mutuamente seus efeitos, e que o sinal seja exatamente mono, isto é, exatamente igual em ambos os canais, para que o movimento de cada caixa seja a imagem especular (e oposto, por uma delas ter a fase invertida) da outra. Esta qualidade de mono poderá ser obtida com um controle de "mono" no pré, ou usando um sinal já mono (ou, melhor, estéreo simétrico) na faixa de teste. Quando você ouve este sinal no seu equipamento, percebe que não há ambiência e que o ruído provém de uma linha localizada bem no centro entre as caixas. Quanto mais ambiência, menor simetria. Em termos de equipamento, devem possuir controle de volume, e a possibilidade de repetir uma faixa continuadamente.
Seqüência prática:
A partir da conexão normal do sistema, inverta a conexão de uma das caixas (somente de uma delas, e com o amplificador desligado!). Faça isso conectando o positivo ao negativo e vice-versa em um dos extremos dos cabos de falantes de um canal.
Coloque uma caixa em frente à outra, sobre uma superfície pouco deslizante, de maneira que entre os falantes haja o menor espaço possível. Há duas maneiras de fazê-lo: a) a mais segura; b) a mais silenciosa. A forma mais segura consiste em manter as caixas com suas telas frontais colocadas e encostadas uma à outra. Desta maneira, os falantes estarão protegidos contra qualquer contato, caso as caixas sejam acidentalmente empurradas uma contra a outra. A outra forma, consiste em retirar as telas frontais e aproximar as caixas até que as suspensões dos woofers fiquem a um milímetro uma da outra. Verifique isso olhando lateralmente pela fenda entre as caixas, e também por cima, certificando-se, desse modo, de que ambas estejam absolutamente paralelas.
Escolha uma faixa apropriada de um CD (ver abaixo) e coloque o CD Player no modo "Repetir a faixa".
Regule o volume na posição em que você ouve normalmente, e faça o CD Player tocar.
Certifique-se, olhando pela fenda lateral, de que os falantes não estejam encostando um no outro. Você deverá identificar os seus movimentos para trás e para frente ao mesmo tempo e de forma recíproca, sem que se encostem ou se afastem mais do que o milímetro inicial de separação.
Certifique-se de que o balance de canais esteja perfeitamente centrado. Se não estiver, você ouvirá parte do som gerado pelas caixas. Por quê? É simples, ambas as caixas cancelam-se mutuamente desde que o som gerado por cada uma seja simétrico e oposto à do som produzido pela outra. Se há diferença de volume, esta simetria já não se verifica. Assim, a parte "excedente" do som da caixa que apresenta volume mais alto não será cancelada pela outra caixa. Quanto maior o desequilíbrio, maior o volume de som que será ouvido (Ver abaixo).
Para verificar o anterior, convido-o a fazer um experimento. Será mais ilustrativo se você tiver um duplo controle de volume, ou um controle de balance que diminua o volume de um canal. Ouça o som produzido após estabelecer seu nível de volume habitual, e com o balance centrado. Agora, diminua o volume de um canal. O quê aconteceu? Surpresa, não?. O volume geral aumentou, e notavelmente. Ou seja, a potência aplicada às caixas diminuiu, porém o volume percebido é agora maior. A explicação está no parágrafo anterior.
Cubra as duas caixas com cobertores ou qualquer tecido disponível que seja absorvente de som, para eliminar o som residual que vaza das caixas.
Cubra também as aberturas dos túneis de sintonia (nas caixas refletoras de baixos ou sintonizadas) com o mais grosso e eficiente tecido isolante que encontrar. Se puder usar blocos de espuma nesses orifícios (como os que algumas caixas já trazem com esse propósito), insira-os totalmente.
Deixar o aparelho tocando por 100 ou 200 horas em paz.
Não esquecer de, após ter desligado o amplificador, refazer a conexão normal do falante que foi invertido.
ALGUMAS DICAS:
Se eu não quiser usar meu equipamento principal?
Qualquer outro amplificador pode ser usado, desde que seja estéreo, e tenha simetria entre os dois canais. Por exemplo, um CD Player de carro em desuso, um velho receiver de áudio ou vídeo, etc. Se for usar um CD Player de carro, use uma bateria automotiva para alimentá-lo e um carregador de baterias ligado para manter fluxo de energia por vários dias. Você poderia, assim, poupar muitas horas de uso de um amplificador valvulado, por exemplo. Ou usar o seu sistema principal para ouvir música tranqüilamente com as caixas antigas (ou audifones), enquanto o outro sistema amacia silenciosamente as novas caixas.
E se meu CD Player não consegue repetir uma faixa?
Alguns CD Players (por exemplo, alguns de carro) repetem o disco completo, mas não uma faixa individual. Neste caso, você poderá gravar um CD_R com uma única faixa copiada do disco de teste. Desta forma, o CD Player repetirá o disco que, como contém só uma faixa, permitirá, assim, a obtenção do resultado esperado. Você pode, também, somar essa faixa várias vezes com um editor (CD Direct, por exemplo) e montar uma única faixa de 10 ou 209 minutos de duração, para que o CD Player não fique reiniciando o disco tão freqüentemente.
Onde colocar as caixas durante o amaciamento?
Procure um lugar afastado do movimento diário de pessoas, para evitar que as caixas sejam acidentalmente pressionadas uma contra a outra. Prefira apoiá-las sobre uma superfície não derrapante ou, então, coloque-as sobre alguma lâmina de borracha (um par de mouse-pads seria útil).
Quais faixas são mais adequadas? Onde encontro uma?
Existem faixas destinadas especialmente para amaciar eletrônicos de áudio. Normalmente, consistem em ruído rosa associado a alguma varredura de freqüências. Também podemos usar, simplesmente, ruído rosa. A única exigência é a de que o sinal seja idêntico em ambos os canais. Se não tiver certeza, use a chave mono do seu pré-amplificador.
Alguns exemplos:
"My Disc", Sheffield labs, 1004354-2-T, faixa 43. Esta faixa contém ruído rosa idêntico em ambos os canais, e é especialmente útil quando o pouco ruído residual possa ainda vazar das caixas permanecer incômodo (ambientes pequenos, por exemplo)
"The Sheffield/XLO Test & Burn-in CD", Sheffield, 10041-2-T, faixa 8.
Esta faixa contém ruído rosa e varredura, simétricos em ambos os canais. Preferível quando o ruído residual não for um problema. (É similar à oferecida para download logo abaixo)
A faixa 9 do disco "XLO Reference Recordings Test & Burn-In CD", RX-1000, não deve ser usada para amaciar falantes, pois contém sinais diferentes nos canais esquerdo e direito. É, ao contrário, muito útil para amaciar outros componentes do sistema.
Christian Tanto
De: "Rogério P. Costa" <prazeres§dsif.fee.unicamp.br>
08/10/02 12:30
Olá Cristian e amigos da lista.
Acho uma grande idéia mas só gostaria de esclarecer que o arranjo com as caixas de frente uma para a outra não representa exatamente o ambiente que as caixas enfrentariam e isso requer apenas mais alguns cuidados.
Por que?
A caixa estando sozinha vai ter o ar livre como impedância acústica. O arranjo com as duas em fase invertida vai diminuir muito essa impedância pois quando o alto falante de uma empurra o ar o outro puxa a mesma massa de ar facilitando o deslocamento de ambos os cones. Isso resulta num deslocamento muito maior dos cones para o mesmo sinal do que se fossem usadas normalmente.
O arranjo também promove uma tendência de ressonãncia do sistema formado pelos (dois cones + massa de ar dendro dos cones). Não acredito que aconteca mas de eles tiverem um modo de ressonância numa das frequências do sinal eles podem ressonar um pouco.
Com base nisso seria bom observar se não está ocorrendo deslocamento excessivo dos cones e diminuir o volume se necessário para impedir danos nos falantes.
Uma caixa funcionando sozinha transfere parte da energia para o ar e parte para dentro dela. O que ela tranfere para dentro não se torna som e é normalmente transformado em calor por elementos dissipativos (lã de vidro por exemplo).
Nesse arranjo, a energia que iria para o ar é tranferida de uma caixa para outra. Isso provavelmente vai aumentar a temperatura de todo o sistema e como a temperatura foi citada seria bom considerar isso também.
De qualquer modo acho que esse amaciamento é mais pra a estrutura mecânica (cone de papel, aranha e etc.) que são feitos de materiais resinados que amolecem com o uso.
Abraços,
Rogério
De: "luifocy2002" <lcysne§digitaltecnologia.com.br>
qui 00:57
Permitam-me fazer a distinção entre amaciar e esquentar.
Falantes precisam e devem ser amaciados. Regra que tem exceções: 1) falantes com cone de polipropileno, cuja estabilidade mecânica nata superior praticamente os isenta do processo e 2) uma miríade de falantes convencionais/caixas acústicas, cujos fabricantes idôneos chamam para si a responsabilidade de amaciar podutos, entendendo que isto não deve caber ao consumidor. Evidência óbvia percebida há décadas por todas as montadoras de automóveis do mundo.
As válvulas termiônicas também precisam ser amaciadas, mas não os aparelhos valvulados. O nome original do termo em inglês "pre-heating" rotula um processo que tem duração de cerca de 120 horas, durante as quais se submetem rigorosamente todas as válvulas de boa lavra. Os principais benefícios resultantes são o som muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito superior em relação ao das válvulas não amaciadas e a duplicação da vida útil destes componentes. Isso é o amaciamento.
Outra coisa diferente é esquentar. Coisa parecida com o que fazemos por alguns minutinhos com nossos carros, cedinho pela manhã.
Assim é que valvulados equipados com válvulas amaciadas ou não amaciadas precisam ser "esquentados". O que pode levar de uma a algumas horas até que sejam atingidas as condições ideais de operação. Esta é a primeira razão pela qual muitos aparelhos valvulados são mantidos em stand-by. Ou seja, pretende-se evitar o desconforto de espera tão prolongada cada vez que se quer ouvir música.
Sabe-se que uma das formas mais eficazes de prolongar a vida útil dos aparelhos eletrônicos, exceto displêis de vídeo e assemelhados, é mantê-los ligados permanentemente (sic). E esta é a segunda razão para o stand-by!! Ainda nessa linha, a cada redução de 10ºC na temperatura de trabalho dos aparelhos suas vidas úteis são aproximadamente quaddddruplicadas.
Me consta que a maioria dos aparelhos de estado sólido atinge seu ponto ideal de operação em questão de poucos segundos após a ligação. Logo, deixando de lado qualquer preciosismo que só nos atrapalharia, podemos dizer que, na prática, estado sólido não precisa ser amaciado nem esquentado. A menos que expressamente recomendado pelo fabricante. E ainda assim, devem ser apresentados argumentos convincentes para evitar mistificações sem suporte científico.
Abraços a todos,
Luiz Fernando Cysne.
De: Walter Ullmann <db_project§attglobal.net>
05/06/03 qui 18:05
Assunto: Teste Caixas Acuisticas
Incadescente Lista,
Alguem colocou no ar um texto a repeito de "queima" de caixas acústicas ou falantes aos pares, sendo que um deles deveria ser alimentado com um sinal de polaridade contraria ao outro dispositivo. Confesso que tinha minhas duvidas da eficiencia do metodo, até que tive a necessidade de "queimar" dois falantes que estou testando.
As caixas são "genericas" e foram utilizadas apenas como "suporte" para os falantes. Elas tem cerca de 1,100 x 200 x 300 milimetros (AxLxP)
As caixas foram colocadas uma de frente para a outra, a uma distancia de uns 40 centimetros e o microfone alinhado ao eixo dos falantes e entre as duas, ou seja, 20 + 20 cm. Por questões de praticidade, usei uma varredura senoidal entre 10 Hz e 40 kHz, sendo que este sinal era filtrado por um X-Over Ativo, indo para a potencia e desta para os falantes. A potencia fornecida - nessa medição - foi cerca de 2 watts rms.
OS GRAFICOS
São vistas 4 curvas, duas relativas a cada um dos falantes individualmente, Roxa e Verde; uma relativa aos dois funcionando com a mesma polaridade - curva Vermelha - e a quarta estando um deles com a polaridade invertida, curva resultante em Amarelo.
Na curva em AMARELO, podemos observar que entre 20 e 500 Hz, onde o comprimento de onda é maior que a distancia entre as caixas, temos uma atenuação media de cerca de 20 dB em relação à curva VERMELHA. A partir do instante em que a distancia entre as caixas fica maior que o comprimento de onda das frequencias seguintes, essa atenuação fica em torno de 15 dB.
Proximo a 1.5 kHz pode-se ver o cancelamento dramatico dos picos de ambos falantes nessa frequencia.
Uma vez que as caixas são estreitas e altas, e estão paralelas (frente a frente), muitos dos picos e vales que podemos notar nas curvas são devidos às interferencias - construtivas e destrutivas - dos sons irradiados por ambas. Acredito que se aproximarmos mais as caixas, o cancelamento seja ainda maior nas frequencias mais altas. Não testei por falta de tempo.
Conclusão obvia, o metodo funciona e é ligeiramente mais eficaz ao se utilizar ruido rosa, ao inves de varredura senoidal. Notei uma melhora de cerca de 6 dB entre um e outro.
Concluindo, caso alguem queira "queimar" sua caixas sem incomodar demais o vizinho, pode utilizar a brincadeira em questão, que seguramente vai ter um ruido resultante cerca de 15 dB mais baixo do que aquilo que iria ouvir nas mesmas condiçoes, mas com as polaridades corretas.
Se alguem duvida, repita o teste e coloque a cabeça entre os falantes, vai sentir no osso a variação de nivel.
Abraços
Walter
Nova série de mensagens
De: Mauricio Domene [mbdomene§u...]
Enviada em: segunda-feira, 29 de julho de 2002 14:27
Assunto: Equipamento permanentemente ligado
Olá pessoal
Gostaria da opinião e experiencia de vocês nesse assunto. O que é melhor para o equipamento (estúdio)? Deixar ligado sempre, ou desligar sempre que souber que não será usado por um par de horas?
Já ouvi dizer que, embora ecologicamente incorreto, deixar ligado pelo restante do dia -uma vez ligado- desgasta menos o equipamento. É verdade mesmo? O desgaste é maior no ligar do que no permanecer ligado? Ou varia de equipamento para equipamento?
De: "Nestor Natividade" <somperfeito§a...>
Data: Qua Jul 31, 2002 1:18 pm
Assunto: RES: Equipamento permanentemente ligado (ligeira mas não efusivamente longa)
Prezado Maurício
O que perguntou envolve uma 'salada' de equipamentos e, portanto, a resposta correta a sua pergunta será um sonoro 'talvez'.
Inicialmente.
Se alguns dos itens da sua particular lista de equipamentos do seu estúdio envolvem equipamentos eletromecânicos (gravadores, toca-discos, por exemplo) considere o seguinte: partes móveis exigem rolamentos e rolamentos 'gastam' não somente com o uso, mas também com o seu posicionamento físico ! Gravadores, qualquer tipo, têm a sede do eixo do capstan ovalados quando usam (a imensa maioria deles) bronzina autolubrificada onde o eixo do capstan 'gira' paralelo à horizontal. É por esta razão que gravadores de rolo pro são projetados para trabalharem na horizontal, mesmo usando rolamentos de precisão. Por outro lado, se você usa DATs, ADATs, etc., etc., pergunte ao seu técnico o que irá acontecer se o rolamento do 'drum' que contém as cabeças apresentar alguma folga....
Mas rolamentos produzem muito ruído e, no caso dos toca-discos de qualquer tipo ou idade, todos, sem exceção, usam como rolamentos bronzinas autolubrificadas com folga praticamente 'zero'. Mesmo trabalhando em baixa velocidade e na horizontal, folgas aparecem e para minimizá-las, exatamente neste momento, se discute em outra Lista estrangeira sobre a necessidade de se manter eixo e bronzinas aquecidos em uma temperatura constante (por meio de uma resistência e um sensor embutidos) para que se evite o desgaste provocado pela baixa lubrificação no momento do 'start up' do motor, pois mantê-los permanentemente ligados aceleraria ainda mais o desgaste natural.
A título de você ter uma idéia do que estamos discutindo, hoje, há não somente a escassez de fontes confiáveis de fabricação / distribuição desses itens, mas também o custo de reposição envolvido, que, no caso dos belt- e rim-drives, oscila entre 50 e 5.000 dólares usanianos !
Com os elétrons não há o problema de desgaste e aquecimento, certo? Nem uma coisa nem outra, mas de muito longa data se notou que equipamentos eletrônicos mantidos permanentemente em 'on' apresentam uma melhor qualidade subjetiva do áudio, embora os parâmetros mensuráveis das suas especificações permaneçam constantes. Desde quando se notou que existe 'som de cabo', 'som de solda' e outros que tais, também se notou um fato inexplicável, segundo o qual cabos e equipamentos que os contenham apresentam um áudio melhor (subjetivamente falando) após algum tempo de 'burn in'. O 'burn in' é um fenômeno que pode ser repetido por qualquer um, bastando para isso que o equipamento em teste seja mantido continuamente 'ligado' por um tempo antecipada e experimentalmente definido, que varia de caso a caso. Um tempo considerado 'padrão' (se é que isto existe) seriam 48 horas, embora tenham sido reportados períodos de 100 horas e mesmo de um mês ! Uma vez 'burned', ele se mantém nesta condição indefinidamente se indefinidamente ligado.
Analogamente à mecânica de um motor de automóvel, seria como antigamente, época em que os motores, para o máximo da sua performance e longevidade, precisavam ser 'amaciados' com precisão. Porém, ao contrário da mecânica, embora mantendo um 'residual' dos ganhos obtidos com o 'burn in', também notou-se que existe um retorno às condições iniciais da qualidade subjetiva da reprodução se o equipamento for desligado da sede AC ou DC. Dentro dessa maneira de se encarar todos os ganhos subjetivos na reprodução, é comum o audiófilo deixar o equipamento permanentemente 'on', com exceção dos amplificadores de potência à válvula, pois os custos com o desgaste físico suplantam os ganhos subjetivos.
No estúdio.
O que vale para o audiófilo, vale para o estúdio, mas aqui há uma diferença muito importante. Falo das condições da qualidade do AC utilizado e do quanto existe de RFI e EMI (externa ou internamente gerados) no ambiente de trabalho.
Cuidar do AC e das interferências, no áudio doméstico, é para quem 'pode', mas é uma obrigação primária para o profissional. Em estúdios ditos profissionalmente sérios' o AC é gerado internamente para o uso exclusivo da mesa; prés remotos; toda eletrônica auxiliar mais gravadores, i.é., toda a eletrônica por onde o sinal passar até ser finalmente capturado no master final.
Manter o equipamento permanentemente 'ligado' pode ajudar, subjetivamente falando, mas as interferências mutuamente induzidas devem ser levadas antes em consideração. Eliminá-las até um residual irrelevante deve ser um trabalho sem fim daquele que mantém o equipamento do estúdio.
Como viu, Maurício, 'to be on or not to be on' pode ser algo não tão fácil de se decidir. O assunto envolve conhecimento e muito, mas muito dinheiro. 'Morou' ou não 'morou' ? (Jargão popular do século XX, idos dos anos sessenta)